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TOPONÍMIA
Agustina Bessa Luís
(Romancista)
Nascida em Vila Meã, Amarante, e oriunda de um meio social de
antigas famílias da aristocracia rural do Norte, Maria Agustina
Ferreira Teixeira Bessa Luís é romancista, contista e cronista.
Revelada plenamente nos anos 50, quando vivia no Porto, depois
de ter passado por Coimbra, onde casou em 1945.
Escritora que afirma não ser uma" pessoa de certezas", Agustina
parece preferir, situar-se nessa margem ambígua donde a criação
emerge como testemunho isento e independente de uma época. Se
num olhar superficial, a sua obra parece reproduzir um meio
social onde se contrapõem caracteres populares, burgueses e
aristocrático-rurais de raiz, e densa penetração psicológica dos
seus romances, a implacável perscrutação interior das
personagens e das situações inseridas num determinado momento
histórico - num gesto apaixonado de quem procura atingir o âmago
da essencialidade do ser humano no enigma das suas múltiplas
relações - tomam esse mundo provinciano e fechado num largo
friso humano universal.
A partir dos anos 70, tem dedicado à biografia de determinadas
personagens portuguesas um tempo e um cuidado cuja minúcia de
análise reparte com o romance.
ALBERTO SANCHES
DE CASTRO
Passamos, a transcrever o que António da Costa
Macedo escreveu sobre, este singular personagem:
“Para nós, ex-Meninos da Luz, bem merece
recordá-lo, cuja “celebridade” se tornou lendária porque, aos 10
anos entrou para o Colégio Militar com um, monóculo que nunca
mais o largou, dando-lhe, desde, logo, a alcunha de "O MIRÔLHO".
Inteligente e muito habilidoso de mãos, tão habilidoso que nos
trabalhos manuais construiu um pequeno barco a vapor, com motor
e tudo, uma miniatura tão perfeita que na, época, se deslocaram
ao Colégio Militar os príncipes D. Luís e D. Manuel para
assistirem a uma demonstração no amplo tanque que existia na
Quinta. O nosso “ MIRÔLHO “ que nem para dormir tirava o seu
monóculo, ficou assim recordado durante, anos e anos. Completado
o seu curso colegial, regressou a Viana do Castelo, terra dos
seus maiores, aí passando a dar nas vistas, não só, por ser neto
do General Caetano Pereira Sanches de Castro, que fora Ministro
da Guerra, mas também, porque sempre de monóculo, se passeava
pela cidade alcandorado no seu "bíciculo" - uma bicicleta,
então novidade, dotada de
uma, grande roda da frente e de uma outra, notavelmente mais
pequena, atrás.
Estava-se no principio do século XX. A aviação
apenas tinha despontado. Um grupo de gente de bem, lembrou-se de
colher benefícios financeiros, trazendo para Portugal um
aeroplano que sobrevoaria recintos vedados a que acorriam
multidões para ver de perto, de nariz no ar. Bela ideia! Mas
coma realizá-la? Do aeroplano , era fácil dispor. Mas de um
corajoso tripulante? Como consegui-lo, se a primeira condição
era ser "maluco" e se, além disso era preciso ser arrojado e
capaz de aprender a difícil arte de tripular? Reparam, sem
qualquer hesitação, que essas qualidades se concentravam no
Alberto Sanches de Castro.
Foi-lhe feito o convite, e a aceitação foi imediata. E lá foi o
nosso Alberto Sanches Osório de Castro de comboio até Paris,
para seguir, para a, Escola de Aviação Voisin, onde desde logo
se distinguiu. Regressado a Portugal trazendo consigo,
devidamente desmanchado, um Voisin Antoinette 40 cv que uma vez
em Lisboa, veio a ser encaminhado para o Mouchão da Póvoa de
Santa Iria. Ali improvisou a sua “Base Aérea”, tendo sido ele
próprio, com a sua vocação para a mecânica, a
montar e a experimentar o pequeno aeroplano. Estava-se em
Setembro de 1912. No dia 10 fez quatro voos de pequena duração
“sendo assim, por consequência, o primeiro aviador civil a
sulcar o nosso espaço aéreo”.
Deste feito foi lavrada a seguinte acta: “Nós
abaixo assinados, testemunhamos ter visto no dia dez de Setembro
de mil novecentos e doze, O Sr. A1berto Sanches de Castro,
voando em aeroplano á altura aproximada de cinco metros,
atravessando parte do Mouchão da Póvoa: e afim de que este voo o
primeiro realizado por um português em terras de Portugal
em aeroplano com motor, fique registado, lavramos a presente
acta. Seguem-se as assinaturas: “Norberto Gonçalves, António
Canelas, Eugénio Ferreira, António Pinto, António Pinola e
Francisco Gonçalves”. Feitos os primeiros ensaios, abalançou-se
a um, voo mais largo, mas, vai se não quando o motor terá parado
e aquela “geringonça” despenho- se no pátio interior de uma
fábrica. O proprietário, Dr. Teodoro Lesrfeld era homem de
bom coração e teve pena de quem, Vindo do céu, lhe entrou
pela propriedade, facturando algumas costelas. E porque tinha
uma formosa filha - a sua Dora - que poderia servir-lhe de
enfermeira, não o deixou seguir para o hospital e
prestou-lhe tão hospitaleira quanto diligente assistência. E
tão carinhosa foi, que logo se iniciou um romance cor de rosa
dando aso a que o Alberto e a jovem Dora se casassem, unindo,
para toda a vida, os seus destinos.
Não se alistou na incipiente Aviação Militar, mas deu largas à
sua habilidade , à sua inteligência e ao seu espírito de
aventura, dedicando-se à pintura, caricatura, feitura de
cartazes publicitários (ainda hoje perdura aquele logótipo do
vinho do Porto "Sandeman” com uma silhueta de chapéu de aba
larga), e ao ensino e divulgação dos seus conhecimentos de
mecânica de automóveis, quer como professor, que foi, da escola
Marquês de Pombal, quer como autor de um livro destinado aos que
trabalhavam nas oficinas, de reparação de automóveis, dando-lhes
conselhos de ordem prática e que intitulou, pitorescamente, de
“Ó Chico, não sejas azelhudo”. Com requintado gosto para a
decoração, tornou-se colaborador de António Ferro, quando o
Secretariado da Propaganda Nacional deu um grande passo em
frente a pensar no turismo. A Sanches de Castro se deve o
recurso às toalhas limpas e vistosas, às louças alegres, aos
vidros reluzentes, às bilhas de água fresquinha, e a toda uma
decoração que traduzisse alegria e que evidenciasse asseio.
E tão bem recebida foi essa sua campanha, que
com a colaboração dos Caminhos de Ferro, levou-a a todo o País,
organizando, um animado “Hotel Modelo” que armado sobre
carruagens, percorreu as nossas linhas férreas, mostrando, de
terra em terra, como se haviam de tornar mais atractivos os
restaurantes e as instalações hoteleiras !... Alberto Sanches de
Castro, nasceu em Viana do Castelo a 21 de Março de 1887 e
faleceu em Lisboa, a 27 de Abril de 1934. Proposto pela
Comissão de Toponímia e aprovado pela Assembleia de Freguesia
em 31 de Outubro de 1996, ficou perpetuado na toponímia local,
dando nome, à rua que se situa entre a Av. Dom Vicente Afonso
Valente e a rua baptista Pereira. (Dora Lehrfeld Bachofen,
nasceu em 1891 na Póvoa de Santa Iria, era sobrinha do Eng.
Henry Bachofen e irmã do famoso corredor de automóveis, Henry
Lehrfeld).
Alcino d’Oliveira e
SILVA
1869 - 1945
Nasceu em Lisboa a 28 de Novembro de 1869 e faleceu a 20 de
Abril de 1945. Filho de Manuel d'Oliveira e Silva e de Cândida
d’Oliveira. Profissão: torneiro mecânico, foi contramestre nas
oficinas do Caminho de Ferro. Eleito Presidente da Junta de
Freguesia da Póvoa de Santa Iria em 1925, fazendo parte, deste
executivo João Martins Duarte, Isidoro Antunes Costa, Aires de "
Matos Pereira e Jaime Correia Bessa.
Deposto pela revolução de 28 de Maio de 1926,
foram exonerados a 14 de Julho de 1926 estando em curso obras de
adaptação para a escola primária e instalação da Junta de
Freguesia no edifício da Capela Nossa Senhora Mãe dos
Homens, abandonada ao culto desde 1908. A Comissão
Administrativa nomeada deliberou de imediato suspender todas
estas obras, sem que tivesse criado qualquer alternativa, dando
origem a que o edifício voltasse para a posse do Estado e
posteriormente para as entidades eclesiásticas, acentuando-se
progressivamente a sua degradação, vindo as ruínas da Capela a
serem demolidas em 1941.
Deve-se a Alcino d’Oliveira e Silva a Construção do chafariz
público e do bebedouro para animais que existiu no cruzamento da
Rua da República e Mártires da Revolução, (actual 28 de
Setembro) tendo obtido o Sr. Jonh Wilson, proprietário da
Quinta da Piedade, a cedência da pedra lavrada e encimada com
um brasão que presentemente se encontra exposto perto deste
local.
Desenvolveu
grande actividade associativa, pertenceu aos corpos directivos
da Associação de Socorros Mútuos “DORA” de 1912 a 1943, sendo
por seis vezes eleito Presidente da Direcção. Participou nas
direcções do Grémio Dramático Povoense e de 1931 a 1941 no
extinto Póvoa Club. Proposto pela Comissão de Toponímia e
aprovado pela Assembleia de Freguesia em 31 de Outubro de 1996,
deu nome à rua que começa na Tiago da Silva Santos e finda na
rua Francisco Pereira Júnior.
Alfredo Ferreira da Cunha
Regedor
1902 – 1910
Fundador do grémio Dramático
Povoense.
Almirante gago coutinho (carlos viegas gago coutinho)
1869 - 195858
Natural de Lisboa, Pioneiro da aviação Portuguesa e
Mundial. Geógrafo e Almirante da Marinha. Realizou,
com Sacadura Cabral, a primeira travessia aérea do
Atlântico Sul, de Lisboa ao Rio de Janeiro, em 1922,
em hidroavião, proeza histórica na aviação mundial.
Em 1943, a bordo do veleiro "FOZ DO DOURO" repetiu a
rota de Cabral em 1500, de Portugal ao Brasil.
AMÉRICO COSTA
Destacado Associativista Povoense. Foi Presidente da Junta de
Freguesia durante 21 anos. Fundador e dirigente, durante 32
anos, do Corpo de Bombeiros Voluntários da P6voa, de que foi
Comandante durante 17 anos. Distinguido por esta Associação como
Comandante Honorário dos Bombeiros da Póvoa. Fundador do
Sporting Clube Povoense e Póvoa Clube (já extintos). Foi
director do "Grémio" e da associação "DORA".
Aníbal Faustino
1912
- 1985
Nasceu em Bucelas a 21 de Março de 1912 e faleceu na Póvoa de
Santa Iria a 11 de Agosto de 1985. Filho de José Faustino e de
Balbina Faustino. Profissão: Serralheiro. Com apenas a instrução
primária feita depois de adulto, o gosto pelo teatro e pela
poesia foram notáveis desde muito jovem. Publica os seus
primeiros poemas em 1931. Poeta popular de enorme talento,
deixou um espólio fazendo lembrar os "cantadores de rua". Em
1976 publica "Poemas de um Candidato" e em 1987 "Poetas D'Aqui",
edição do Grémio Dramático Povoense, reeditado após o seu
falecimento com apontamento biográfico de Fernando Augusto. Faz
parte dos "Poetas da Póvoa" I e II volume, edição Dom Martinho,
Associação para a Defesa e valorização do Património da Póvoa de
Santa Iria, fiel depositária das suas obras, doadas por Agripina
Rei Moreira. O que caracteriza a poesia de Aníbal Faustino é o
tom irónico, um tanto moralista, vincadamente popular, com graça
expontânea, variando os temas e os motivos, por vezes impiedoso
até consigo próprio, mas sobretudo preocupado com os bons
exemplos. Tendo o teatro no coração, no palco era talentoso,
sabendo dizer à sua maneira os poemas que escrevia.
Fazer versos como eu faço
Não há ninguém que não faça
Agito, misturo, traço
Banalidades sem graça
Uns são falhos de piléria
Outros falhos de engenho
São retratos da miséria
Do talento que não tenho
Numa análise concreta
Ao meu precário talento
Vi que para ser Poeta
Me faltava cem por cento
Meus versos, ainda por cima
Não têm miolo, nem casca
Para arranjar uma rima
Às vezes vejo-me à "rasca"
Como actor amador, declamou, representou e ensaiou peças de
teatro no Grémio Dramático Povoense e noutras localidades
vizinhas, uma entrega plena de talento, entusiasmo e paixão,
aliada à sua natural modéstia, galvanizando todos aqueles que
tiveram o privilégio de o conhecer. De trato afável, sabia
cultivar a amizade. Proposto pela Comissão de toponímia e
aprovado pela Assembleia de Freguesia em 21 de Fevereiro de
1992, a Praceta Aníbal Faustino confluí com a Av. Ernest Solvay.
Grande poeta é o povo!...
Dum lirismo consagrado
Pró jantar só tem um ovo
Mas que importa?
Tem a bola...
...e tem o fado
ANTERO DE QUENTAL
(ANTERO TARQUINIO DE QUENTAL)
1842 - 1891
Poeta
Natural de Ponta Delgada, poeta e prosador, formou-se em
Direito, em Coimbra, em cujo meio estudantil se impôs,
encabeçando os movimentos que se opunham ao conservantismo
universitário. Espirito angustiado mas, simultaneamente homem de
acção voltado para as aspirações revolucionárias da época.
Fundou, com José Fontana e outros, a Associação Fraternidade
Operária e torna-se figura central do "CENÁCULO", grupo de
intelectuais entre os quais se conta Eça de Queirós, a que se
ficaram e dever as célebres "Conferências do Casino".
ANTÓNIO FEIJÓ
(ANTÓNIO JOAQUIM DE CASTRO FEIJÓ)
1859 - 1917.
Poeta e Diplomata,
Natural de Ponte de Lima. Formado em Direito, ingressou na
carreira diplomática em 1885, sendo nomeado para o consulado do
Rio Grande do Sul, no Brasil. Aqui foi distinguido pela Academia
Brasileira de Letras. Em 1891 foi nomeado Cônsul Geral para
Estocolmo e mais tarde como Ministro Plenipotenciário (até á sua
morte). Distinguiu-se como notável poeta, sendo as suas
principais obras, "Sacerdus Magnus"
"Líricas
e Bucólicas" "Á
Janela
do
Ocidente", "Cancioneiro Chinês", "Ilha dos Amores", "Sol de
Inverno" e "Novas Bailatas",
António
França Borges
Rua
António França Borges, está situada entre a Avenida Dom Vicente
Afonso Valente e a Rua Morgado da Póvoa.
França Borges, natural de Sobral de Monte Agraço, nasceu a 10 de
Janeiro de 1871 e faleceu a 5 de Novembro de 1915.
Tirou o curso secundário, principiando logo a manifestar a sua
vocação paro o jornalismo, dando assídua colaboração a pequenos
periódicos, como O Neófito, O Novo Escolar e A Defesa.
Acabados os estudos ingressou no jornal Universal e depois no
Jornal de Notícias, de Lisboa.
Foi aspirante de finanças, colocado em Sintra, onde a sua pena
extremamente combativa lhe proporcionou alguns dissabores, e,
entre eles, o de haver sido preso e trazido para Lisboa, dando
ingresso no Governo Civil.
Continuando as suas campanhas contra o regime monárquico, foi
forçado a pedir a sua demissão de funcionário público e
encerrado na prisão do Limoeiro durante alguns meses.
Ilustre jornalista pertenceu às redacções de vários jornais como a
Vanguarda, A Pátria, e fundou em 1900 a 16 de Setembro o jornal
O Mundo, órgão do partido republicano que cedo se tornou uma
força demolidora contra a ditadura de João Franco, (Primeiro
Ministro de D. Carlos) combatendo sem descanso as suas
prepotências e os ataques à liberdade e aos direitos dos
cidadãos.
Em volta dele agruparam-se então numerosos jovens, que o
auxiliaram com a sua colaboração, muitos deles tornados mais
tarde consagrados jornalistas. O estilo agressivo de França
Borges, a sua popularidade e a do seu jornal eram de tal forma
que as autoridades se sentiam impotentes para suprimir aquele
formidável baluarte da propaganda revolucionária.
Embora acabasse por ser figura cimeira do Partido Democrático,
sempre recusou quaisquer cargos oficiais, no Parlamento sempre
manifestou um notável senso político. Foi grande amigo da Póvoa,
estabelecendo relações de grande amizade com os republicanos
Povoenses, estando presente no grande comício republicano que
se realizou no Grémio Dramático Povoense a 24 de Março de 1908,
juntamente com o Dr. Afonso Costa, Dr. Alberto Costa, Luís
Derouet e José Dias da Silva, sendo aprovada por aclamação uma
moção, pedindo a abdicação do Rei Manuel II.
Apresentou na Assembleia da República no dia 27 de Abril de 1914,
um projecto de lei para a criação da freguesia da Póvoa de Santa
Iria, afirmando que a Póvoa era uma terra onde a República teve
desde logo as mais sinceras adesões e que carinhosamente acolheu
os ideais republicanos que haviam de abrir para o País novos
horizontes.
Este projecto aprovado em 13 de Abril de 1916, pelo Dr.
Bernardino Machado, Presidente da República, que igualmente
esteve na Póvoa de Santa Iria, presente num comício republicano
realizado no Grémio a 14 de Agosto de 1910, organizado pelos
republicanos Povoenses: Sabino Pedro Garcia Simões, João Dias
Gomes, José Joaquim O' Oliveira, Carlos Ferreira da Cunha,
Tiago da Silva Santos, João da Silva Victoriano, José Gomes da
Silva, José Nogueira da Costa Vaz, João da Paz Corado e Manuel
Martins Duarte.
Na Póvoa de Santa Iria comemora-se o dia de elevação a Vila e a
Cidade, era importante também, e, em defesa dos valores
históricos que o 13 de Abril fosse devidamente comemorado como o
dia do nascimento da freguesia.
Em 1966 realizaram-se as festas comemorativas do cinquentenário
da freguesia, tendo sido abrilhantadas pela participação da
Banda dos Bombeiros do Zambujal, Marcha de Benfica, Rancho
Folclórico de Alenquer e os conjuntos: Os Ginetos, Twist Star,
Os Diabólicos e S.O.S., exposições, provas de atletismo, largada
de toiros e encerradas com a queima de vistoso fogo de
artifício. A presidência da Junta de Freguesia era ocupada por
Deocleciano da Silva Presilha.
antónio francisco
gonçalves correia
Nasceu em Lisboa na freguesia de Benfica a 12
de Setembro de 1922 e faleceu na Póvoa de Santa Iria a 30 de
Dezembro de 1999.
Filho de Mário Rodrigues Correia e de Maria Gonçalves.
Completou o curso de enfermagem na “Artur Navarra” e
especializou-se com curso Geral de Psiquiatria que frequentou no
Hospital Miguel Bombarda.
Prestou serviço militar obrigatório no Hospital de Ponta Delgada
durante a 2.ª Guerra Mundial.
Exerceu a actividade profissional no Hospital de S. José.
A partir de 1947 radicou-se na Póvoa de Santa Iria.
Prestando serviço na Soda Póvoa (Solvay) e Companhia Industrial
Portuguesa.
Fez parte dos quadros da Administração Regional de Saúde de
Lisboa.
Aposentado da A.R.S.L. em 1992 como enfermeiro chefe, depois de
durante dez anos ter integrado a Direcção do Centro de Saúde da
Póvoa de Santa Iria.
O seu nome ganhou fama e prestígio pala competência e denodo com
que exerceu as suas funções, sempre com elevada dedicação e
proficiência, a merecer o apreço e a estima de quantos tiveram o
privilégio de o conhecer.
Durante a sua mocidade praticou Hoquei em Patins, no Benfica.
Na década de 50, colocou os seus conhecimentos profissionais ao
serviço das equipas do União Atlético Povoense.
Como dirigente associativo, foi Presidente do Grémio Dramático
Povoense, desenvolvendo actividades culturais e promovendo
colóquios com a presença de vários oradores, destacando-se o
escritor Alves Redol, e o médio Dr. Ramiro da Fonseca.
Em 1966, fez parte da comissão de Festas das Comemorações dos
cinquenta anos de Freguesia por sua iniciativa apresentou-se
gratuitamente na Póvoa de Santa Iria, a marcha de Benfica,
desfilando pelas ruas da nossa terra e proporcionando um
acontecimento de rara beleza.
Autor de “Rimas da Vida”, António Correia, foi um poeta que
escreveu de uma
maneira simples e directa, poemas que traduzem as sensações que
foi recolhendo na sua vida, tendo em comum o humanismo e a
solidariedade.
É linda qualquer flor
Tem cor beleza sem fim
Mas com as rosas há mais cor
As rosas são sempre assim.
Mas à guerra dizem não
As rosas são sempre assim
Participou nos “Poemas da Póvoa”, divulgados na sessão de
Poesia e Música, realizada no Grémio Dramático Povoense, a 10 de
Maio de 1997, por iniciativa da Associação D. Martinho.
Premiado pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, está
representado na Antologia “Poetas da Póvoa” – 1º volume.
Autor da marcha da Póvoa, com música de François Venturini
Piller.
Proposto pela Comissão de Toponímia e aprovado pela
Assembleia de Freguesia em 31 de Outubro de 1966,
deu o nome à rua que se situa entre a Rua João Lopes
Raimundo e José Maria Duarte.
António
Maria Leal
1884 – 1953
Farmacêutico
Ficou conhecido pelas suas qualidades beneméritas.
ANTÓNIO SÉRGIO (ANTÓNIO SÉRGIO DE SOUSA)
1883 - 1966
Natural de Damão, historiógrafo e ensaísta. Considerado o
mais importante pensador português do seu tempo. Protagonizou as
mais importantes acções para a implantação e consolidação do
movimento cooperativo em Portugal. Fez parte, com Raul Proença,
Aquilino Ribeiro e outros, do "Grupo da Biblioteca Nacional".
Aristides de Sousa Mendes
1885 – 1954
Nasceu em Cabanas de Viriato, em Mangualde, a 19 de Julho
de 1885. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra em
1907, em 1910, foi nomeado Cônsul de 2ª classe na Guiana
Britânica. Elevado a cônsul-geral, foi colocado em Zanzibar e
transferido em 1918 para Curitiba, no Brasil, e no mesmo ano,
promovido a Cônsul de 1ª classe, para S. Francisco na
Califórnia. Passando novamente pelo Brasil, é em 1929 nomeado
cônsul-geral em Antuérpia.
E transferido em 1938 para Bordéus na França. Depois da invasão
da França pelos nazis, acorreram multidões de refugiados de toda
a Europa. Tentavam a salvação atravessando a fronteira
espanhola, mas isso só era possível com visto para Portugal.
Contrariando as ordens de Salazar, Aristides de Sousa Mendes
concede milhares de vistos, incluindo judeus, e salvando cerca
de 30 000 pessoas de morte quase certa. Em 24 de Junho de 1940 é
chamado a Lisboa, ordenado um processo disciplinar por
"concessão abusiva de vistos em passaportes estrangeiros".
Depois de concluído o processo disciplinar, é condenado em pena
de um ano de inactividade com direito a metade do vencimento da
categoria, seguido do seu aposentamento, com impossibilidade de
exercer qualquer actividade profissional. Apelou da decisão de
Salazar para o Supremo Tribunal Administrativo, cujo parecer foi
negativo. Apela para a Assembleia Nacional Portuguesa clamando
justiça, mas de novo em vão. Enviou uma carta a todos os
deputados da Assembleia, mas de novo, não obtém qualquer
resposta. Em 1945 aderiu ao Movimento de Unidade Democrática,
"Os nazis torturaram e mataram milhões de pessoas, dizendo que
estavam a cumprir ordens. Aristides S. Mendes, salvou milhares
de pessoas recusando-se a cumprir ordens. Por causa desta
atitude foi demitido e acabou por viver os últimos anos da sua
vida como indigente, vindo a falecer no dia 3 de Abril de 1954
no Hospital da Ordem de Terceira em Lisboa.
ARQUIMEDES DA SILVA SANTOS
Natural da Póvoa de Santa Iria, Formado em Medicina, desde
a sua juventude teve vasta colaboração política em jornais e
revistas como" O Diabo", "Sol Nascente" e "Vértice". Tradutor de
Teatro dirigiu o Teatro dos Estudantes, em Coimbra, e frequentou
a Universidade do Teatro das Nações, em Paris. Estudou
Psicologia na Sorbonne e Filosofia na Faculdade de Letras de
Lisboa. Foi assistente na Faculdade de Medicina de Paris e
assistente no Centro de Investigação Pedag6gica do Instituto
Gulbenkian da Ciência. A sua vida de Médico tem sido exercida,
sempre com total dedicação, ao serviço da população da Póvoa.
AUGUSTO TOSCANO
BATALHA
Natural de Alhandra, Médico, exerceu a sua actividade na
Póvoa durante muitos anos, sendo muito estimado pela população,
não só pela sua competência profissional como pelas qualidades
morais sempre patenteadas.
Azedo Gneco
1849 - 1911
Eudóxio César de Azedo Gneco, natural de Samora Correia, nasceu em
21 de Junho de 1849 e faleceu a 29 de Junho de 1911.
Começando aos 16 anos como operário da Casa da Moeda, gravador de
profissão, medalhista e aprendiz de escultor, cedo revelou
tendências para a vida associativa.
Foi uma das figuras de referência do movimento operário.
Participou na fundação da Fraternidade Operária, da Associação
dos Trabalhadores e do Partido Socialista Operário Português em
10 de Janeiro de 1875.
Foi várias vezes candidato do Partido Socialista e integrou o
Conselho Central do partido. Em 1896 foi delegado ao Congresso
Socialista Internacional.
Como jornalista, procurou expandir as suas ideias, afirmando-se
como chefe da corrente socialista.
Colaborou assiduamente em a "Vanguarda" órgão da imprensa
republicana, cuja popularidade e divulgação foram factores
valiosos no combate à monarquia, dirigido por Magalhães Lima.
(Júlio Cândido de Almeida, sócio fundador do Grémio Dramático
Povoense, foi correspondente deste jornal na Póvoa de Santa
Iria).
Colaborou ainda em “O País” , “o Século”, foi co-fundador dos
jornais socialistas “0 Protesto” e "O Protesto Operário”, que
dirigiu.
Fundou “A Folha do Povo”, devendo-se-lhe grande parte da
propaganda socialista do seu tempo.
Empenhou-se no combate pela emancipação da classe operária,
escrevendo nos jornais, organizando comícios e congressos. Uma
vida dedicada, agitada, nem sempre bem aceite mas cheia de
entusiasmo pela defesa dos trabalhadores, da liberdade e dos
valores democráticos.
Proposto pela Comissão de Toponímia, o seu nome foi aprovado pela
Assembleia de Freguesia em 21 de Fevereiro de 1992. A Rua Azedo
Gneco situa-se no Bairro da Chepsi.
Baptista Pereira
1921 – 1984
Nadador
Joaquim Baptista Pereira, nasceu em Alhandra em 7 de Março de
1921, e faleceu a 22 de Junho de 1984. Aos 15 anos de idade,
realizou a sua primeira travessia oficial, no rio Tejo, tendo
vindo a ser campeão da travessia do Tejo entre Trafaria e
Pedrouços. Foi campeão nacional nos duzentos, quatrocentos e mil
e quinhentos metros. Notabilizou-se nas provas de longo curso:
2º no Campeonato do Mundo dos cem quilómetros, bateu o recorde
europeu de distância (166,6 Km),em 25 de Agosto de 1923, e o de
permanência na água a nadar (26 horas). Em Outubro de 1953,
alcançou o recorde mundial na travessia do estreito de Gibraltar
e em 21 de Agosto de 1954, classificou-se em 1º lugar na
travessia do Canal da Mancha. Colaborou nas provas de natação,
com o Povoense João do Nascimento Lopes, na travessia entre a
Póvoa e o Mouchão.
Bernardo
da Costa Macedo
Regedor
1911 – 1912
Em 1911, foi membro da Comissão Recenseadora. Em 1913, foi
Presidente da Junta de Freguesia de Santa Iria de Azóia. Em
1916, foi Tesoureiro da Junta de Freguesia da Póvoa de Santa
Iria.
Bernardo Santareno
1924 – 1980
Dramaturgo
Nasceu em Santarém. Médico psiquiatra, licenciado em Medicina
pela Universidade de Coimbra, exerceu durante anos em Lisboa.
Essencialmente dramaturgo, mas também poeta e prosador, viu
várias das suas peças, proibidas pela censura do anterior
regime. Como dramaturgo, procurou, na linha de um Frederico
Garcia Lorca, fixar o psiquismo do povo a que pertencia. Do
naturalismo dramático á dramaturgia épica, o seu foi sempre um
teatro de denúncia: denúncia da superstição, da intolerância, da
discriminação e da repressão sexual, política e socia
CAMINHO DO MARQUÊS
Está
situada entre a Estrada Nacional 10 e a Av. Dom Vicente Afonso
Valente, na Póvoa de Santa Iria.
Data de 1789 que D. Pedro de Lencastre da Silveira Castelo Branco
de Almeida Sá e Meneses (1762-1828), 16,° Senhor do Morgado da
Póvoa 7° Conde de Vila Nova de Portimão, Conde da Sortelha e
Figueiró, comendador-mor de Avis, obtém o título de 5.° Marquês
de Abrantes.
Par do Reino, alcaide-mor de Abrantes, Sardoal, Bouças e Sever,
foi nomeado por D. João VI, em 26 de Novembro de 1807,
presidente e membro da Regência do Reino durante a ausência do
Rei no Brasil.
Junot entra em Lisboa 4 dias depois sem encontrar qualquer
resistência.
Várias atitudes opressivas de Junot, bem como as violências, os
roubos e os crimes cometidos pelos Franceses, levam D. Pedro de
Lencastre a constituir uma comissão para tratar da causa
portuguesa junto do imperador Napoleão, deslocando-se a Baiona
em 27 de Abril de 1808.
O povo em face de tal opressão revolta-se contra o invasor,
provocando motins por todo o país, e Napoleão em represália
reteve como reféns, até 1814, D. Pedro de Lencastre e seu filho
D. José Maria de Lencastre, major de cavalaria.
Regressados à pátria, D. José
Maria de Lencastre, foi um fervoroso defensor da causa de D.
Miguel, sendo seu conselheiro e auxiliar, estando envolvido
juntamente com o tenente Paiva Raposo, o sargento José
Veríssimo e o sota das cavalariças Leonardo nos acontecimentos
que deram origem à "Vilafrancada" e "Abrilada",
Deve-se o D. Pedro de Lencastre a primeira fonte de abastecimento
público instalada na Póvoa de Santo Iria, em 1783, um ano depois
de inaugurada a estrado Real de Lisboa a Coimbra na qual se
ensaiou o primeiro serviço do mala-posta, e da inauguração das
colunas de Alverca que assinalam o '"Termo de Lisboa", extinto
em 11 de Setembro de 1852.
No cruzamento da Rua da República com a Rua 28 de Setembro na
nossa freguesia, existe uma pedra lavrada e encimada com um
brasão "LENCASTRE" que assinala a existência da referido fonte,
tendo a seguinte inscrição: "ESTA FONTE / MANDADA FAZER EM 1 783
/ POR D. PEDRO/CONDE DE VILA NOVA DE PORTIMÃO / NESTE MORGADO".
D. Pedro de Lencastre casou a 6 de Novembro de 1780 com D. Maria
Joana Xavier de Lima, filha do Marquês de Ponte de Lima.
Tem sempre água fresquinha
Aquela fonte formosa
Que se ergue caprichosa
Junto à caso do (Pombinho)
A fonte tem uma bica
Que gracejando salpica
Quem dela não de desvia.
É assim risonha e bela
A Fonte do Alviela
Da Póvoa de Santa Iria
Desta união nasceram três filhos, tendo havido filhos legitimados
de D. Isabel Jacinto Arnaud e de Plácida Scapesis de
nacionalidade italiana.
D. Pedro era filho de D. José Maria de Lencastre e Távora e neto
de D. Manuel Rafael de Távora que esteve dezoito anos preso no
Forte da Junqueira, sem culpa formada, devido ao atentado contra
a vida de D. José I. Justifica-se assim o brasão “LENCASTRE /
TÁVORA” existente na Quinta da Piedade na Póvoa de Santa Iria e
que escapou à ira do Marquês de Pombal.
Todavia votado ao abandono, tem sofrido inúmeros actos de
vandalismo,
Capitães de Abril
Num
único dia toda a História muda em Portugal. De repente, como que
saídos de um longo pesadelo, Portugal acorda livre. É 25 de
Abril de 1974
Carlos Marques
1912 – 1993
Associativista
Carlos da Conceição Marques nasceu na Póvoa de Santa Iria, a 10
de Março de 1912, era filho de Hermenegildo da Conceição
Marques. Pessoa de palavra repousada e calma. Cultivou e dedicou
quase toda a sua vida a uma coisa de que muito gostou, o
futebol. Estudioso da modalidade, foram seus mestres, Cândido de
Oliveira e Ribeiro dos Reis. Pelas suas "mãos" na qualidade de
treinador passaram mais de 500 jovens de diversas gerações de
atletas
Povoenses. Iniciou a prática desportiva na modalidade de futebol,
no lugar de extremo direito, no "Operário Foot-Bal Clube
Povoense", conquistou a taça Raul Vieira, na época de 1951/1952.
Desenvolveu grande actividade associativa, desempenhando por
inúmeras vezes cargos directivos, como. No Grémio Dramático
Povoense entre 1931 e 1948, na Associação de Socorros Mútuos
"DORA" de 1944 a 1948, assim como no Póvoa Clube de 1941 a 1945.
Presidente da Direcção do "União Atlético Povoense" em 1945,
fomentou para além do
futebol, o Basquet-Bol, natação, Voley-Bol e a criação de
uma aula de ginastica infantil. Organizou e dinamizou colóquios
e conferências culturais, sendo uma delas com a presença do
ilustre advogado Dr. Adelino da Palma Carlos, que mais tarde foi
1º ministro, após a revolução dos cravos. Em 1968 pertenceu ao
executivo da Junta de Freguesia da Póvoa de Santa Iria. Com a
idade de 73 anos, ainda exercia a sua actividade como treinador,
orientando as classes juvenis do União Atlético Povoense.
Faleceu com a idade de 80 anos, a 11 de Fevereiro de 1993.
Casal Novo
Este topónimo vem referido no Decreto-Lei nº 508 de 13 de
Abril de 1916, que cria a freguesia da Póvoa de Santa Iria,
indicando a sul um dos seus limites; "Quinta do Casal Novo".
Esta quinta, vulgarmente conhecida por "Anabique" e Quinta de
Santo António, pertenceu a António Teófilo de Araújo, l°
Visconde dos Olivais, falecido em 1879. Foram herdeiros seus
sobrinhos, Eduardo Veiga de Araújo e Pedro Veiga de Araújo,
filhos de João Francisco de Araújo, que herdaram também o
"Mouchão da Póvoa" e constituíram a "Sociedade Mouchão da Póvoa,
L.da." A Quinta do Casal Novo, pertencia Antes de 1916 á
freguesia de Santa Iria de Azóia.
D.
EDUARDO VEIGA DE ARAÚJO JÚNIOR
1910 - 1962
Nasceu em Lisboa a 4 de Agosto de 1910 e faleceu a 11 de Junho de
l962. Fez os seus
estudos na Escola Académica onde em 1927 conclui o Curso
Comercial. Descendente de uma família, de lavradores, seu tio
avô, António Teófilo de Araújo, 1.º Visconde dos Olivais,
proprietário do “Mouchão da Póvoa” desde 1852, foi um dos
maiores e mais esclarecidos lavradores do seu tempo. D.
Eduardo veio a herdar, esta propriedade quando tinha idade de 18
anos, tendo-se dedicado com grande entusiasmo à mecanização
total da lavoura. Foi o primeiro lavrador a trabalhar com as
ceifeiras-de-bulhadoras-enfardadeiras em Portugal, no Mouchão
da Póvoa, desenvolvendo processos de trabalho mecanizado sendo
impulsionador da exploração agrícola moderna. Publicou A
Lavoura, Essa Arte de Empobrecer e A Mecanização da Lavoura,
colaborando com artigos da sua especialidade no jornal "Vida
Ribatejana". Administrador da Sociedade Mouchão da Póvoa Ld.ª,
comercializou com relevante êxito a água minero-medicinal
"Mouchão da Póvoa" que conquistou diversos prémios
internacionais. Vereador na Câmara Municipal de Vila Franca de
Xira de 1959 a 1962, presidente do Corpo Voluntário de
Salvação Pública da Póvoa de Santa Iria, tesoureiro do Rotary
Internacional de Vila Franca de Xira. De formação democrata
granjeou correntes de simpatia entre os opositores locais ao
regime.
Sendo presidente da mesa de voto nas eleições presidenciais em
que concorreu o General Humberto Delgado, teve oportunidade de
afirmar a sua verticalidade aos valores democráticos afrontando
sem temor a presença de autoridades afectas e defensoras do
regime ditatorial. D. Eduardo Veiga de Araújo Júnior, foi um
grande amigo da Póvoa, sendo muito estimado e considerado por
todos os Povoenses que tiveram o privilégio de o conhecer, tendo
em 1952 doado o terreno para o prolongamento do cemitério da
Bolonha, seguindo o exemplo de seu pai a quem se deve a
existência deste cemitério. Foi na sua propriedade “Quinta de
Santo António” na Póvoa de Santa Iria, que em 1959 foram postas
a descoberto um conjunto de sepulturas classificadas entre o fim
da ocupação romana e o começo da invasão árabe.
D. VIGENTE AFONSO VALENTE
Cónego da Sé de Lisboa. Primeiro senhor conhecido das
terras da Póvoa. Em 1348 instituiu o Morgado da Póvoa, fazendo
testamento a seu irmão Lourenço Afonso Valente, que assim se
constituiu no 1º Morgado da Póvoa. O morgadio passou depois para
os filhos deste, Pedro Afonso Valente, Martim Afonso Valente,
Aires Afonso Valente. Descendentes desta família Dª. Brites
Valente casou com D. Martinho Castelo Branco, passando o povoado
a chamar-se Póvoa de D. Martinho (Séc. XVI). De salientar
a inscrição na pedra existente, que refere a instituição do
morgadio em 1336. A divergência entre esta data e o ano de 1348
acima referido, resulta de na época, ter sido instituído um novo
calendário, em uso até aos nossos dias.
Da Azóia
Topónimo do Séc. XIV
O topónimo "Azóia" deriva do Árabe (az-zauiâ), ermida,
local de culto de caracter religioso, que tem como função,
celebrar a memória de um Santo patrono, sinónimo de "Ribat".
Data de 4 de Dezembro de 1364, a carta de aforamento que fez
Martim Afonso Valente, 3° Senhor do Morgado da Póvoa, a Álvaro
Pires de Arnez, de umas vinhas e olivais na Azóia, pertencentes
ao morgadio da Póvoa. A 15 de Novembro de 1423, carta do Rei D.
João I em que contém uma sentença, determina pertencerem ao
morgadio da Póvoa e a Aires Afonso Valente, 4° Senhor da Póvoa,
duas courelas de vinha na praia da Azóia.
Em 1498 é referida a Quinta da Azóia, como termo da Póvoa e
pertença de D. Martinho, 7° Senhor do Morgado da Póvoa. A 8 de
Fevereiro de 1670 é referido que Manuel Ferreira, morador no
lugar de "Belonha", vendeu a Simão da Costa, pescador, uma
vinha, sita no dito lugar e foreira ao Morgado da Póvoa,
pertença de D. José Luís de Lencastre, 3° Conde de Figueiró e
12° Senhor do Morgado da Póvoa.
A Q" da Bolonha, foi pertença do Dr.. Adolfo Archer Crespo de
Figueiredo (1892-1957). Nesta quinta existiu a Capela de Santo
António.
David Mourão Ferreira
Escritor
???Notas curriculares:
Eduardo Veiga de Araújo
Júnior
1910 – 1962
Autarca – Vereador
Proprietário do Mouchão da Póvoa,
impulsionador da mecanização agrícola. Administrador da
Sociedade Mouchão da Póvoa, Ld.ª. Presidente dos Bombeiros
(1960). Cedeu terreno gratuito para a implantação do Cemitério
da Bolonha.
Ernest Solvay
Nasceu em Rebecq-Rognon em 1838.Faleceu em Bruxelas em
1922.Industrial Belga .Inventor do processo de fabricação do
carbonato de sadio com amoníaco. Fundador ou benfeitor de
diversas sociedades cientificas . Fundador do "GRUPO SOLVA1",
com Sede na Bélgica e fabricas em diversos países ,entre as
quais a da Povoa de Santa Iria. Esta a mais importante empresa
da nossa Cidade que, desde a sua instalação tem sido o maior
empregador das gentes da Póvoa, podendo dizer-se que poucas
serão as famílias Povoenses que não tiveram ou têm membros seus
a laborar nesta fábrica. Será justo realçar também a co1aboraçao
que a SOLVAY PORTUGAL sempre tem prestado à Autarquia, quando
para tal é solicitado.
Ester
Bettencourt Duarte
Professora
1938 – 1951
Muito ligada à Póvoa, tanto profissionalmente como
familiarmente, uma das suas filhas viria a casar com João
Correia Bessa.
Nasceu em 16-02-1893, faleceu em 30-01-1971.
ESTEVÃO BESSA
1913 - 1957
Estevão Borges Correia Bessa, nasceu na Póvoa de Santa Iria, a 20
de junho de 1913 e faleceu a 12 de Abril de 1957, filho de
Francisco Correia Bessa e de Severina Duarte Boa-Alma. Pessoa
de trato afável e de uma simpatia irradiante, conquistava e
consolidava com facilidade as amizades pela sua maneira de
ser, simples e despretensiosa. Tinha a Póvoa no coração e os
amigos no sorriso, espírito alegre, encantava todos quantos
tiveram o privilégio de o conhecer. Actor amador, possuidor de
uma graça espontânea, deixou gratas recordações das suas
interpretações: (Francisco de Sousa), na peça "O Pinto
Calçudo", (Zé Forreta e o Cauteleiro da Póvoa) na peça "Pedaços
da Nossa terra", nas quais deu prova da sua muita habilidade,
mantendo a plateia em constante gargalhada. Foi Director de
Cena, Ensaiador e Delegado à Federação Portuguesa das
Colectividades de Cultua e Recreio, de 1949 a 1952. Foi uma
figura destacada no meio associativo, a quem a Póvoa muito
ficou devendo do seu prestigio e valorização em diversos campos
de actividade.
Sócio fundador do Sporting Clube Povoense e Presidente da
Assembleia Geral, pertenceu aos corpos directivos da
Associação de Socorros Mútuos "DORA'. do Grémio Dramático
Povoense, do Póvoa Club e do União Atlético Povoense, sendo
Delegado à Federação em 1945. Durante vários anos foi
correspondente do jornal "Diário Popular", na Póvoa de Santa
Iria. Comerciante, fundou a leitaria Bessa, de sociedade com
António Martins e em 1945, a firma Electro Ribatejo,
juntamente com João Jorge de Oliveira. Proposto pela Comissão
de Toponímia e aprovado pela Assembleia de Freguesia em 13 de
Fevereiro de 2001, a Rua Estevão Bessa situa-se na Urbanização
Pretas do Morgado, entre a Rua Manuel Infante e Regueirão do
Adrião.
Fernando NAMORA (fernando gonçalves namora)
1919 - 1989
Médico e Romancista
Natural de Condeixa, considerado um dos mais destacados representantes
do neo-realismo literário português. Algumas das suas melhores
obras: "domingo à
tarde", deuses e demónios da medicina", "o trigo e o joio",
retratos da vida de um médico".
FERREIRA DE CASTRO
Fundador do grémio Dramático
Povoense.
1898 - 1974
Escritor e Romancista.
É considerado o grande precursor do neo-realismo português. A sua
obra, fortemente inovadora e pessoal, é profundamente marcada
pela experiência da emigração e sofrimento num seringal da
floresta amazónica. Da sua vasta produção literária destaca-se o
romance "A SELVA", um dos livros portugueses mais traduzidos no
Mundo.
Francisco Ferreira da Silva
Regedor
1920 – 1922
Veio a desenvolver grande actividade por volta de 1937
(pertencendo ao Executivo da Junta), para a construção da Escola
Primária na Rua 28 de Maio, Actual Rua Alves Redol.
FRANCISCO PEREIRA JUNIOR
1895 - 1951
Nasceu
em Lisboa na freguesia das Mercês, a 23 de Fevereiro de1895 e
faleceu a 3 de Novembro de 1951.
Filho de Francisco Pereira e de Maria do Patrocínio de Almeida.
Empregado da “Sociedade Industrial Aliança” fábrica de moagens.
Eleito autarca em 1918, exerceu o lugar de vogal, vindo em 1919 a
ocupar a presidência da Junta de Freguesia da Póvoa de Santa
Iria até 1923.
Em Outubro de 1918 desenvolveu intensa actividade de solidariedade
ajudando a combater o flagelo da epidemia que grassava na
povoação, organizando “Comissão de Socorro”
A 5 de Abril de 1919 pede à população apoio político e um voto de
confiança a favor da sua firmeza na luta contra os
especuladores, de modo a poder enfrentar as dificuldades
resultantes de uma longa crise que afectava as classes mais
desfavorecidas e que se reflectia nas finanças municipais, que
tinham então, no chamado imposto “ad-valorem” o seu principal
rendimento.
Lutou com denoto e tenacidade, valorizando o regime republicano,
ao exercer uma política em defesa do consumidor, exigindo que os
produtos de primeira necessidade fossem vendidos respeitando as
tabelas, mandando afixar “Editais” e perseguindo os
exploradores, o que lhe granjeou algumas inimizades da parte de
uns quantos comerciantes.
Sendo Presidente da Junta de Freguesia, em 27 de Fevereiro de
1920, recusou fazer parte, da "Comissão" para criação do "Concelho
de Sacavém", , alegando que a Póvoa de Santa Iria reunia
melhores condições para ser elevada a Concelho, afirmando ainda
que era uma das freguesias' que mais contribuía para o
engrandecimento do Concelho de Loures.
Eleito vereador na Câmara Municipal de Loures, assume a
presidência de 11 de Abril a 27 de Junho de 1923, renunciando ao
cargo em protesto contra o Ministro do Comércio por não dar
seguimento ao processo de expropriação de utilidade pública,
para dar lugar à construção do Mercado Municipal na Póvoa de
Santa Iria.
Em 29 de Julho de 1925 fez parte da delegação que a
Câmara Municipal de Loures enviou a França, para tratar das
indemnizações de Guerra devidas, pelo Governo Alemão.
Fazia parte como vereador do último executivo republicano da
Câmara Municipal, eleito democraticamente e deposto pela
revolução de 28 de Maio de 1926.
Eleito delegado da Associação “DORA” no Tribunal Arbitral da
Previdência Social em 1931.
Sócio fundador do extinto "Póvoa Club" fez parte da Comissão
Instaladora, juntamente com Augusto Antero Duarte, Ernesto
Ayres da Silva, Isidoro Antunes Costa e António Gomes da Silva,
sendo eleito Presidente da Assembleia Geral m 22 de Abril de
1931.
Francisco Pereira Júnior foi
proposto em 1996 pela Comissão de Toponímia, perpetuando-se o
seu nome entre a Av. D. Vicente Afonso Valente e a Rua António
França Borges.
Francisco Sá Carneiro
1934 – 1980
Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro, nasceu no Porto
em 1934, tendo concluído os seus estudos universitários em
Lisboa, voltou ao Porto onde exerceu advocacia. Eleito deputado
em 1969 à Assembleia Nacional como independente, debateu-se por
um estado democrático na defesa das liberdades públicas. Líder
da chamada "ala liberal", e constante opositor ao antigo regime
deposto em 25 de Abril de 1974, pediu a renúncia ao seu mandato
em 1973 por ter concluído na impossibilidade de modificar no
mínimo que fosse, qualquer aspecto da ditadura então vigente.
Afastado da sua função de deputado, Francisco Sá Carneiro, nunca
deixou de manifestar as suas opiniões fortemente criticas, com o
regime totalitário e opressor, fazendo-se ouvir nos diversos
textos e entrevistas.
Pouco depois de Revolução de Abril de 1974, fundou com Francisco
Pinto Balsemão e José Magalhães Mota, ambos pertencentes à
referida "ala liberal" da Assembleia Nacional, o P.P.D. -
Partido Popular Democrático, hoje denominado P.S.D. - Partido
Social Democrata, de inspiração social-democrata do modelo da
Europa Ocidental, onde a liberdade se deveria enquadrar na
principal preocupação. Ministro Adjunto em 1974 no 1º Governo
provisório, presidido por Adelino da Palma Carlos, constitui em
1979. Com o C.D.S., o P.P.M. e reformadores a Aliança
Democrática, tendo ganho as eleições intercalares, ascendendo
por isso á chefia do governo, mantendo-se como primeiro ministro
depois das eleições gerais em 1980, ano em que faleceu num
acidente de aviação.
GENERAL NORTON DE MATOS
(JOSÉ MARIA
MENDES NORTON DE MATOS)
1867 - 1955
General e Político
Natural de Ponte de Lima. Durante a primeira República foi
Ministro da Guerra, Governador Geral e alto Comissário para
Angola e Embaixador, de Portugal em Londres. Como Governador de
Angola não só promoveu a colonização e o desenvolvimento em
larga escala, como dedicou particular atenção à protecção dos
trabalhadores indígenas, suas condições de trabalho e instrução.
O movimento político de 28 de Maio de 1926, afasta-o da área do
poder. Era então Embaixador em Londres. Em 1948 candidata-se à
Presidência da República como opositor ao regime, congregando em
torno da sua candidatura o primeiro grande movimento popular e
nacional de contestação ao regime fascista.
GENERAL HUMBERTO
DELGADO
(HUMBERTO DA SILVA DELGADO)
General sem medo
1906 - 1965
Natural de Torres Novas. Foi o mais novo Oficial português a
atingir o posto de General, sendo nomeado adido militar nos
Estados Unidos da América, pelo governo de Salazar. Profundas
divergências com a política seguida pelo chamado Estado Novo
levaram-no a candidatar-se à Presidência da República, como
oposição ao regime, em 1959. Derrotado num processo eleitoral
considerado viciado por todas as, correntes democráticas
nacionais e até internacionais, manteve firme oposição ao
regime que o obrigou à clandestinidade e ao exi1io, culminando
com o seu bárbaro assassínio, perpetrado pela policia política "PIDE",
na fronteira com Espanha.
isidoro
da assunção antunes costa
1904 - 1958
Nasceu no lugar de Valflores em
Santa de Azóia a 17 de Setembro de 1904 e faleceu na Póvoa de
Santa Iria a 12 de Maio de 1958. Filho de Jorge da Costa e de
Maria da Assunção Gancho.
Funcionário superior da “Soda Póvoa” (Solvay).
Desde muito novo exerceu funções autárquicas na Póvoa de Santa
Iria fazendo parte do último executivo Republicano da Junta de
Freguesia, deposto pela revolução de 28 de Maio de1926.
Onze anos depois a 11 de Abril de 1937 é eleito Presidente da
junta de Freguesia e a 11 de Março de 1941 é nomeado vereador da
Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, lugar que desempenhou
durante dezassete anos, até à data do seu falecimento.
De inegável talento e reconhecida inteligência, as suas
qualidades foram sobejamente conhecidas e apreciadas. Prosador
de palavra fácil e eloquente, usando uma linguagem clara, de um
estilo lógico e dedutivo, com profundo conceito e grande
espírito de observação, esgrimia como poucos a espada da verdade
com desassombro e sem temores.
Foi um devotado amigo da Póvoa e um esforçado defensor das
aspirações dos Povoenses, muito se ficou a dever à sua
tenacidade, à sua luta permanente pelo desenvolvimento da
freguesia, uma multiplicidade de intervenções que foram obras
que nos legou desde fontanários, escolas, mercado municipal,
posto materno infantil, lavadouro público, ajardinamento de
diversas artérias, esgotos, pavimentação de ruas e tantos outros
melhoramentos, incluindo a sua participação na construção da
Igreja Paroquial de Nossa Senhora de Fátima.
Sócio do Grémio Dramático Povoense e Associação de Socorros
Mútuos “DORA”, fundador do extinto Póvoa Club, Grupo Columbófilo
Povoense, extinto Sporting Club Povoense, União Atlético
Povoense e do Corpo Voluntário de Salvação Pública. Em todas as
colectividades e associações exerceu, zelosamente, cargos
directivos por inúmeras vezes.
Presidente e Comandante do Corpo Voluntário de Salvação Pública
que durante quinze anos serviu com o seu incansável espirito de
entrega, boa vontade e modéstia depois de 1he ter dado vida como
sócio fundador.
Vitimado por doença súbita que o atacou na rua, pôs em alvoroço
toda a população da Póvoa, e fez cobrir de luto todo o povo que
se incorporou no funeral, numa demonstração de enorme
simpatia e de saudade, respeito e gratidão pela memória de um
grande homem e de um ilustre Povoense que passou a maior parte
da sua existência a lutar, denotadamente, pelo bem comum.
A partir de Março de 1960 ficou perpetuado na toponímica local,
dando nome à avenida que começa junto ao Tejo, no Bairro dos
Pescadores.
Nota: pensamos que seria de toda a justiça que por ocasião do
centenário do seu nascimento, esta data fosse comemorada com a
inauguração de um busto a tão ilustre Amigo da Póvoa de Santa
Iria.
JAIME CORTESÃO (JAIME ZUZARTE CORTESÃO)
1884 - 1960
Historiador
Natural de Anã, foi pela sua vida e obra, uma das mais altas
figuras da cultura portuguesa.
Personalidade destacada da jovem geração da 1ª República. Em 1915
foi eleito deputado pelo Porto. Na 1ª Grande Guerra fez a
campanha da Flandres, como voluntário na qualidade de médico e
foi condecorado com a Cruz de Guerra. A sua intransigente
oposição ao regime fascista obrigou-o ao exílio.
João Lopes
1905 – 1993
Associativista
João do Nascimento Lopes nasceu na Póvoa de Santa Iria, a 12 de
Janeiro de 1905, quando esta ainda pertencia à freguesia de
Santa Iria de Azóia, filho de Fernando Lopes, marítimo, e de
Ernestina da Anunciação Lopes. Ligado ao associativismo desde
muito cedo, fez parte dos corpos directivos do "Operário
Football Clube Povoense", onde integra a equipa. É sócio
fundador do "Sporting Clube Povoense", exercendo o cargo de
Director entre 1935 e 1940. Participa na fundação do "União
Atlético Povoense", sendo secretário em 1951, Presidente em
1952, e Vice-presidente em 1953. Exerce o cargo de Director na
"Associação de Socorros Mútuos DORA", entre 1926 e 1948, sendo
escriturário desde 1965 até poucos anos antes do seu
falecimento. Entre os anos de 1930 a 1960, é Director no "Grémio
Dramático Povoense", sendo Presidente da Direcção de 1944 a
1946, e Presidente da Assembleia Geral em 1961.
Entre os anos de 1932 e 1943 é Director do "Póvoa Clube". Em
1964 é sócio honorário do "Grupo Columbófilo Povoense",
exercendo até 1978, o cargo de Presidente da Assembleia Geral.
Organizou as travessias do Tejo, entre a Póvoa e o Mouchão, nos
anos de 1935 a 1942, fruto do entusiasmo alicerçado na amizade
que tinha com o grande nadador de Alhandra, Baptista Pereira.
Entre os anos 40 e 60, foi colaborador e correspondente de
jornais como, "A Vida Ribatejana", "Diário de Lisboa" na área do
desporto, e "República".
João
Lopes Raimundo
Engenheiro
1902 – 1948
Exerceu a sua actividade profissional na Companhia
Industrial Portuguesa. Por sua iniciativa, em 1927 é criada na
C.I.P. uma organização de assistência médica e farmacêutica
Gratuita, para os operários e para todos os seus familiares e
75% dos seus salários, durante o tempo de baixa, até 6 meses.
Construção de um bairro social para os operários, com
fornecimento de água e electricidade gratuitamente.
JOÃO DA SILVA VICTORIANO
1859 - 1935
Nasceu na Póvoa de Santa Iria a 2 de janeiro de 1859 e faleceu a
29 de Novembro de 1935. Filho de Vitoriano da Silva e de Maria
José, casou com Emilia da Salvação. Comerciante, exerceu com
empenho e dedicação funções Autárquicas, sendo eleito vogal, da
1.ª junta de Freguesia da Póvoa, em 1916. Vereador na Câmara
Municipal de Loures de 1919 a 1922 e Presidente da Junta de
Freguesia de 1923 a 1925 Empenhou-se em 1924 pela criação de um
posto Médico na Póvoa de Santa Iria. Em 1914 cedeu
gratuitamente terreno para a construção do primeiro chafariz
com ligação ao cano do Alviela melhoramento que em muito
contribuiu para a defesa da saúde pública e qualidade de vida
dos Povoenses, até então servidos por água salobra obtida
através de poços, dando origem a muitas doenças epidémicas.
Tendo-se afirmado também como dirigente associativo, foi sócio
fundador do Grémio Dramático Povoense e da Associação de
Socorros Mútuos "DORA", desempenhando nestas colectividades
funções directivas durante muitos anos. Defensor dos ideais
republicanos, estabeleceu relações de amizade com o Dr.
Bernardino Machado, eleito por duas vezes Presidente da
República, sendo deposto pela revolução de 28 de Maio de,1926.
Joaquim Mendes
1905 - 1991
Nasceu
em Sarnadas do Ródão a 13 de Outubro de 1905 e faleceu a 5 de
Maio de 1991.
Filho de trabalhadores rurais, Francisco Mendes e de Maria da
Conceição.
Começou ainda criança á desempenhar tarefas rurais e na Caminho de
Ferro, depois de ter feito a instrução primária em Sarnadas do
Ródão,
Em 1927 ingressou como trabalhador nos Hospitais Civis de Lisboa,
frequenta a prestigiosa Escola de Enfermagem de “Artur Ravara",
onde completou, com distinção, em 1930, o Curso Complementar de
Enfermagem.
Entrando no quadra dos enfermeiros dos Hospitais Civis, exerceu
funções sucessivamente nos hospitais de Arroios, São José,
Estefãnia e Capuchos, tendo chegado a enfermeiro, de 1ª classe.
Em 1934 foi contratado como
enfermeiro pela Companhia de Diamantes de Angola, na província
de Luanda. Desempenhou durante vários anos funções de
enfermagem, em particular nas campanhas regionais de prevenção e
combate à doença do sono.
Percorreu vastas zonas do território abrangido pela concessão da
Companhia de Diamantes, mercê das Suas qualidades de coragem e
da sua nobreza de carácter, conseguindo levar a efeito acções
humanitárias sendo, além de enfermeiro, por vezes parteiro e até
médico, missões para as quais o habilitavam o seu profundo
conhecimento da cultura e dialecto daqueles povos.
Regressado a Portugal, entrou como enfermeiro na "Solvay Portugal"
(Soda Póvoa) em 1942, até à idade da aposentação.
Sendo muito estimado pela população da Póvoa, a quem nunca
regateava auxílio, as mais das vezes desinteressadamente, dadas
as dificuldades económicas de muitos que a ele recorriam,
exercendo as suas funções de enfermagem com verdadeiro espirito
de sacerdócio.
De formação republicana, conhecido como resistente antifascista,
sempre se afirmou contrário, às “ditaduras", defendendo o ideal
"Socialista” e os valores democráticos. Foi, várias vezes detido
pela "Pide", e, em tais, situações, sempre se comportou com
grande dignidade e sem quebra de pincipios, fortalecendo-se
cada vez mais na luta que decidiu travar na oposição ao regime
ditatorial, combatendo-o com tenacidade e vigor, e como
democrata de rija tempera.
Em 1949 participou na Comissão de apoio à, candidatura do General
Norton de Matos.
No rescaldo das eleições em que concorreu o General Humberto
Delgado, foi detido em 22 de Novembro de 1958, cumprindo 40
dias de prisão em Caxias, “sem culpa formada".
Foi director associativo no Operário Vilafranquense, Grémio
Dramático Povoense, recusando-se a participar na Direcção do
União Atlético Povoense pelo facto de ser obrigado a assinar um
documento negando pertencer a qualquer organização política.
Após o triunfo da “Revolução dos Cravos” filiou-se no Partido
Socialista, integrando listas locais concorrentes ao poder
autárquico democrático.
Proposto pela Comissão de Toponímia e aprovada pela Assembleia de
Freguesia em 21 de Fevereiro de 1992, A Rua Joaquim Mendes,
situa-se no Bairro, da Chepsi.
José Afonso
1929 - 1987
Cantor
Natural de Aveiro, nasceu em 2/8/1929 e faleceu em 23/23/1987.
Formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas. Exerceu actividade
de professor até ser expulso do ensino, pelo regime fascista, de
que foi sempre declarado opositor, desde os sus tempos de
estudante. Notabilizou-se como poeta e cantor.
JOSÉ ANTÓNIO VERÍSSIMO
1942 - 1990
Membro da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Vila
Franca de Xira, após o 25 de Abril de 1974. Eleito Presidente da
Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, nas primeira eleições
Autárquicas pós 25 de Abril. Deputado à Assembleia da República
pelo Partido comunista Português. Presidente da Assembleia
Municipal de Vila Franca de Xira à data da sua morte.
JOSÉ GOMES DA SILVA
1868 - 1937
Nasceu
em Vialonga a 3 de Fevereiro de 1868 e faleceu a 24 de Abril de
1937.
Filho de Martinho Gomes e de Maria da Assunção.
Foi o primeiro Presidente da Junta de Freguesia da Póvoa de Santa
Iria, eleito a 20 de Agosto de 1916.
De formação republicana manteve-se sempre firme nas suas crenças
democráticas, afirmando na tomada de posse que a nossa Freguesia
ao ser criada teve por fim
abrigar todas as religiões e ideais, esc1arecendo que a freguesia
corria o risco de ficar sem igreja depois de os bens serem
arrolados pelo Estado dizendo: “É pois necessário a formação de
um grupo cultural e infelizmente Sucede que ninguém da nossa
terra está interessado em o formar” afirmando ainda que o Estado
não cedia a capela Nossa Senhora Mãe dos Homens para o culto
religioso sem a criação desse grupo.
Identificado com os valores republicanos, defendia com firmeza o
rigor e a, verdade.
Desenvolveu neste período uma forte dinâmica do poder local,
valorizando a sua intervenção e a do seu executivo, com a
inauguração do cemitério da Bolonha, arranjo do cais marítimo,
pavimentação de ruas, esgotos, etc.
Sócio fundador do Grémio Dramático Povoense, Associação de
Socorros Mútuos “DORA” e Póvoa Club, exerceu com empenho e
dedicação durante muitos anos funções directivas em todas as
associações, nomeadamente na Associação “DORA” durante 25
anos.
Organizou e dirigiu a , fanfarra do Grémio desde 1895,
encarregando-se de iniciar executantes nos princípios
rudimentares da música.
De profissão escriturário, foi secretário dos posto do Registo
Civil.
Proposto pela Comissão de Toponímia e aprovado pela, Assembleia de
Freguesia em 31 de Outubro de 1996, deu nome à rua que começa
na Rua da Mata e termina na Rua Tiago da Silva Santos.
José Cardoso Pires
1925 – 19--??
Escritor
Nasceu na Beira Baixa, em Peso, completou o Liceu em
Lisboa e frequentou nesta cidade o curso de Matemáticas
Superiores da Faculdade de Ciências, que abandonou para se
alistar na Marinha Mercante. Andou pela África do Sul e pelo
Ultramar Português, regressando a Lisboa. Ligou-se ao grupo
Surrealista de Mário Cesariny de Vasconcelos e Alexandre
O’Neill. Foi leitor no departamento luso-brasileiro, em Londres,
em 1969, e desempenhou o cargo de director literário em diversas
editoras. Em 1961 foi eleito membro da direcção da Sociedade
Portuguesa de Escritores e em 1962 foi vice-presidente da
delegação Portuguesa, da Comunidade Europeia de Escritores.
Embora ligado cronologicamente á geração neo-realista dos anos
40, José Cardoso Pires, avantaja-se e destaca-se dessa geração
pelo rigor e interpretação humana, pela subtil analise dos
sentimentos ambíguos e um certo espírito satírico, que reata com
a tradição da sátira moralizante da literatura Portuguesa de
Setecentos. Recebeu o Prémio Camilo Castelo Branco, pelo romance
O
Hóspede de Job.
JOSÉ FONTANA
1840 - 1876
Figura destacada do movimento operário português. Escreveu
nos jornais operários "O PROTESTO", "PROTESTO OPERÁRIO", "A
FEDERAÇÃO", etc.. Os seus artigos privilegiam as noções de
pedagogia política, de emancipação social e de liberdade.
Fundou, com Antero de Quental e outros, a "Associação
Fraternidade Operária.
José
Isidro dos Santos
Médico
Nascido em Benavente em 1913, formado em Medicina no ano
de 1938, pela Faculdade de Medicina de Lisboa, tendo frequentado
também a Faculdade de Coimbra. Fixou-se na Póvoa de Santa Iria,
no ano de 1943, onde exerceu a sua actividade como médico até
1981. Prestou cuidados de saúde a quatro gerações da mesma
família, onde para além de médico era para os doentes um
confidente e um amigo., chegando mesmo a deixar de cobrar os
seus honorários aos mais necessitados. Com a sua vinda para a
Póvoa, constatou-se uma notável melhoria na saúde da população.
Foi médico da Associação de Socorros Mútuos DORA, onde se
manteve até final da sua vida activa. Grande desportista,
chegando mesmo a ser treinador do União Atlético Povoense,
cumulativamente com as funções de médico do Clube, tudo a título
gracioso. Casado com Natércia Freira que foi professora na Póvoa
e conhecida Poetisa, é pai de duas filhas, uma delas nascida na
nossa Cidade.
José
Maria Duarte
1850 – 1925
Farmacêutico
Fundador da Associação de Socorros Mútuos Dora.
Republicano, desenvolveu grande actividade política.
José
Nogueira Vaz
Professor
1892 – 1915
Membro da Comissão Recenseadora. Secretário da Comissão
Republicana da Póvoa. Funcionário do Registo Civil (ajudante).
Encarregado da Estação de Telégrafo Postal. Aposentado em 1915,
foi alvo de uma calorosa homenagem por parte da maioria da
população.
José Régio
1901 – 1969
Poeta
Nasceu em Vila do Conde e licenciou-se em letras em Coimbra, onde
publicou os Poemas de deus e do Diabo, na sua maioria
escritos da sua adolescência, assinando pela primeira vez com o
nome de José Régio, pseudónimo literário de José Maria dos Reis
Pereira, seu verdadeiro nome. Fundador, em colaboração, da
revista
Presença, seu principal animador, parte para o Porto onde
fica como professor até 1929, passando para o Liceu de
Portalegre, onde fica mais de trinta anos. Romancista,
dramaturgo, ensaísta e critico, foi todavia como poeta que
primeiro se impôs e mais larga audiência atingiu. A sua poesia
torrencial e reflexiva, lírica e dramática, onde se encontram
sempre presentes «os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito
e a carne, o indivíduo e a sociedade; a problemática da
sinceridade e do logro perante os outros e perante si mesmo».
José Saramago
Escritor
Nasceu a 16 de Novembro de 1922, em Azinhaga, Ribatejo, de uma
família de camponeses.
Fez estudos secundários, liceal e técnico, que por dificuldades
económicas não pôde Continuar. Considera-se por isso um
autodidacta. Exerceu diversas profissões, tendo começado muito
novo pela de serralheiro-mecânico. Desempenhou funções de
director literário numa editora Portuguesa. Colaborou como
critico literário na revista "Seara Nova". Em 1975 foi
Director-Adjunto do "Diário de Notícias". No "Diário de Lisboa"
foi comentador político, tendo coordenado, durante cerca de um
ano o suplemento cultural daquele periódico. Fez parte da
primeira Direcção da Sociedade Portuguesa de Autores. Foi
presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de
Autores, instituição na qual é actualmente Presidente de Honra.
Obteve em 1998 o Prémio Nobel da Literatura.
Luís de Sá
1952 - 1999
Luís M. Viana de Sá., nasceu a 12 de Fevereiro de 1952, em
Angola, Licenciado em Direito, Doutor em Ciências Políticas,
pelo I.S.C.S.P., foi monitor da Faculdade de Direito em
1974/1975. Adjunto do Ministro dos Transportes e Comunicações no
IV e V Governos Provisórios, e do Ministro das Obras Públicas no
VI Governo Provisório. Autor de diversos artigos de jornais e
revistas, foi director da revista "Poder Local". Faleceu em
Novembro de 1999.
Manuel Infante
Autarca
Manuel Ferreira Infante, natural de Atalaia do Campo,
Concelho do Fundão, nasceu a 19 de Setembro de 1917, filho de
José Infante. Concluída a instrução primária, matriculou-se como
aluno interno no Seminário do Fundão até 1935, altura em que
interrompeu os estudos e fixou residência na Póvoa de Santa Iria.
Entre 1937 e 1938, frequentou um curso intensivo de
contabilidade. Admitido após concurso na Junta Nacional de
Frutas, na categoria de aspirante, foi em 1978 promovido a Chefe
de Repartição. Em 1988, já aposentado, foi convidado a integrar
a "Comissão de Liquidação dos Organismos Económicos" onde
prestou serviços até 1990, altura em que por motivos de saúde,
foi forçado a abandonar. Entre 1961 e 1964, foi membro do
executivo da Junta de Freguesia da Póvoa de Santa Iria. De 1964
a 1972, Vereador na Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, e
seu representante no Concelho Geral da Junta Distrital de
Lisboa. É neste período que inaugura a iluminação eléctrica num
troço de E. N. 10 e no Bº das Bragadas. Construção da Estação
Elevatória de Água, ampliação da Escola Primária assim como as
urbanizações dos Bºs da Bolonha e Galinha Assada. Fez
parte dos Corpos Associativos do Sporting Clube Povoense, Corpo
Voluntário de Salvação Pública da Póvoa de Santa Iria e Grémio
Dramático Povoense e organiza as já saudosas festas e arraiais
na Q" da Piedade.
Manuel
Martins Duarte
Regedor
1913-1919
Republicano, desenvolveu grande actividade para a criação da
Freguesia. Voltou a exercer o cargo de Regedor em 1922, pedindo
a exoneração em 1923 por discordar com o Governo então eleito.
Maria
Carlota D'OLIVEIRA
Professora
1915 – 1930
1ª professora do Ensino Primário do sexo feminino na Póvoa.
Desenvolveu grande actividade e empenhamento no combate ao
analfabetismo que existia na Freguesia. Anterior a 1915, as
alunas tinham que percorrer 2 quilómetros para irem à escola em
Santa Iria de Azóia.
MARINHEIROS
Situa-se
entre o Largo da Estação e a Rua da República na Póvoa de Santa
Iria.
Em 1552, segundo a obra Majestade e Grandezas de Lisboa de João
Brandão de Buarcos, dá-nos informações sobre portos fluviais e
seu movimento e diz existirem 30 barcas e bateis no Póvoa,
Samouco e Aldeia Galega. No primeiro quartel do século XVII
(1620) Frei Nicolau de Oliveira, ao descrever a grandeza do
porto de
Lisboa, enumera as embarcações de tráfego fluvial e de pesca,
mencionando dois barcos na Póvoa e um em Santo Iria.
No Tejo navegavam os barcos, muletas, fragatas, faluas, botes,
canoas, varinos, barcos dos moios, barcos de água acima,
transportando todo o tipo de mercadoria.
Numa petição datado de 1680, são referidos os nomes de Luís
Mendonça, Francisco Martins e Luís Silva, como marítimos e
moradores no lugar do Póvoa.
Pediam autorização para poderem aportar com seus barcos na
escoadeira da marinha da Póvoa, onde desde sempre a tinham
utilizado para as suas actividades.
O aumento e o exploração das marinhas pelos senhores do "Morgado"
era a causa directa do conflito que se iria arrastar durante uma
centena de anos sobre as passagens nos esteiros e praias do
Morgado.
Em 1688 foi lavrado sentença contra os barqueiros e a favor de D.
Luís de Lencastre, Conde de Vila Novo de Portimão e 13.º Senhor
do Morgado do Póvoa.
Em 1743 é D. Pedro de Lencastre que consegue uma sentença
idêntica, e em 1766, igualmente D. José Maria de Lencastre e
Távora obtêm uma provisão régia contra os marítimos.
No principio do século XX, o população do Póvoa de Santo Iria era
fortemente representada pela existência de marítimos que
constituíam cerco 21% dos agregados familiares.
António Vardasca, Manuel e José Antunes Vardasca, José Canha e
Antónia da Costa Canha, Eduardo Rodrigues, Pedro e Cipriano
Rodrigues, António Ribeiro e João Ribeiro, José Jorge de
Oliveira, António e José de Oliveira Branco, António da Silva
Vitoriano, Fernando Lopes Faquim, Inácio Ferreira Corigo e José
Corigo, Joaquim Rafael Cartaxo, Simão Patrício, Manuel Ginete,
Júlio Ramos, José da Galinha, António e José Pinheiro, Joaquim
Mendonça Frade, Manuel Rato, Francisco Fradinho, José Pequeno,
José Abrantes, José dos Santos Alcobaça e outros.
Os varinos, barcos típicos do Tejo, eram embarcações de carga, de
fundo chato, que surgiram o partir da segunda metade do séc.
XIX, de proa bastante pronunciada, sem quilha, o que lhes
permitia o navegação, mesmo carregados em águas pouco
profundas.
Apresentavam uma decoração exuberante, de raízes populares e
traduzida nas cores garridas, com grandes ramalhetes e
cercaduras de flores, dando-lhes uma
rara beleza, saltando à vista o nome da embarcação.
Do nosso cais, saíram sulcando o Tejo as seguintes embarcações:
"AMADEU 1.° e 2°"; "BOM FUTURO"; AURORA"; "BOA VIAGEM'; "VICTOR
MANUEL”; "V. F. 101 "; "ABEL JOÃO"; "VAMOS INDO"; "FLOR DE SANTO
ANTÓNIO"; "SETA"; "FLOR DO TEJO"; "FLOR DO MOUCHÃO".
Como seria hoje importante, ter um destes barcos, ancorado no
nosso cais, ao serviço da comunidade, como instrumento
didáctico, desenvolvendo programas lúdico-cu1turais e
educativos, servindo os alunos das nossas escolas,
proporcionando-lhes o conhecimento, o valor e a riqueza deste
grande rio a quem devemos a origem da nossa terra, o Tejo.
(A varina usa chinela,
Tem movimentos de gata,
Na canastra, a caravela,
No coração, a fragata.)
David Mourão Ferreira
(E com a mesma fidelidade,
Lá ao fundo, o meigo Tejo.
Azul de serenidade,
Dá à Póvoa eterno beijo!)
Maria de Fátima Meio
Miguel
Torga
1907 – 19—??
Escritor e médico ??
De seu verdadeiro nome Adolfo Correia da Rocha, nasceu em S.
Miguel de Anta, Trás-os-Montes. Emigrado para o Brasil com 13
anos, voltou a Portugal em 1925, formando-se em Medicina na
Universidade de Coimbra, cidade onde vive e exerce clínica.
NATÉRCIA RIBEIRO DE OLIVEIRA FREIRE
Nasceu
em Benavente, a 28 de Outubro de 1919. Em 1926, inicia os
estudos secundários e musicais (piano e composição). É por
Intermédio de José Osório de Oliveira que abandona a música e se
dedica exclusivamente à poesia, publicando em 1938 "Castelos de
Sonho". Tendo terminado os seus estudo liceais em 1937, é
convidada para participar em várias publicações. Inicia em 1940
a sua colaboração, com palestras mensais, na Emissora Nacional e
publica "Meu Caminho de Luz", com desenhos de João Carlos.
Desde 1939 que colabora no jornal "Vida Ribatejana". Casa, em
1942, com José Isidro dos Santos júnior, médico, e fixam
residência na Póvoa de Santa Iria (1943-1955).
Professora do 1.º ciclo nesta localidade, desenvolve também
activa colaboração com o Diário Popular e a imprensa regional,
publicando "A Alma da Velha Casa" (contos), "Rio Infindável",
obtendo o prémio Antero de Quental. Em 1955, é convidada para
dirigir a página "Artes e Letras", do Diário de Noticias,
abrindo um espaço cultural onde participaram poetas nacionais
e estrangeiros, pintores, escultores, filósofos e ensaístas.
Publica "Infância de que Nasci" e "Solidão sobre as Searas"
(Contos). Organiza, "Os Lusíadas que Fomos, os Lusíadas que
Somos", homenagem de 52 artistas plásticos a Camões, em 1972.
Recebe justa e dignificante homenagem em 1974, pela 1.000'
página de artes e Letras", colaborando ainda com "O Dia", "O
Século" e "O Tempo".
Retirou-se da vida literária em 1974, publicando apenas
"Liberdade Solar" em 1976, e reunindo em 1992 e 1995, toda a
sua obra poética. Representada na revista "Comentário" n.º 1
(Poesia Portuguesa 1950 2000) e na Antologia "Poetas da Póvoa".
"Poeta e ficcionista, o melhor da sua actividade poética
refere-se à noção de permanência num mundo transitório.
Sugestões do simbolismo e do modernismo enquadradas numa
poesia pessoal, independente de escolas, fazem da poesia de
Natércia Freire, uma redescoberta permanente dos mistérios do
universo". Proposta pela Comissão de Toponímia e aprovada pela
Assembleia de Freguesia em 13 de Fevereiro de 2001, a Rua
Natércia Freire situa-se entre a Rua Baptista Pereira e a
Praceta dos Poetas da Póvoa.
NOSSA SENHORA DA SEBONHA
Desde o século XII que há
referências ao culto a esta Santa, venerada pelos marítimos que
exerciam a sua actividade no estuário do Tejo e habitavam as
povoações ribeirinhas e aonde se procedia á extracção do sal.
Sabemos por vestígios encontrados na nossa freguesia: (pedra
gravada, sepulturas, moedas visigóticas, cerâmicas e moeda de D.
Sancho II ), que houve ocupação humana desde o período romano
até ao século XIII, no local presentemente referido como Bolonha
e Quintais, e que se dedicavam á pesca, extracção do sal e
outras actividades relacionadas com o Tejo.
-"A freguesia de
Santa Maria da Sebonha, abrangia as povoações de Alcochete,
Aldeia Galega, Samouco e Sarilhos "-Vila de Alcochete e
seu Concelho - Dr. o Luís Santos Nunes. No século XIV,
dizia-se que o culto a N.ª S.ª. da Sebonha, vinham do tempo em
que os Mouros, ocupavam o "Reino dos Algarves", servindo de
matriz dos cristãos. - Manuscritos da Ordem de Santiago, Torre do
Tombo. A
imagem tinha sobre o braço esquerdo o Menino Jesus:" de rara
formosura e acompanhada de uma soberana majestade, esta
Santíssima Imagem, mostrava tanta graça que levava atrás de si
todos os corações . Santuário Mariano de Frei Agostinho de
Santa Maria 1721.) Tempos depois tomou a invocação de Nossa
Senhora Mãe dos Homens ou Nossa Senhora do Socorro. O culto a
N.ª. S.ª. Mãe dos Homens, venerada pelos marítimos, existiu na
Póvoa de Santa Iria, Sesimbra, Setúbal, entre outros locais.
OLIVEIRA MARTINS (JOAQUIM PEDRO DE OLIVEIRA MARTINS)
1845 - 1894
Historiador
Natural de Lisboa, Historiador, cultivou a sociologia, a
etnografia, a crítica e o jornalismo, mas foi como historiador
que se consagrou. Foi um dos fundadores do famoso grupo "Os
Vencidos da Vida". Obras principais: "História de Portugal"
(1879), "História da Civilização Ibérica" (1885), "Portugal
Contemporâneo" (1881).
OLIVIA DE MORAIS
1906 - 1989
Parteira
Nasceu no lugar de Vale Flores, em Santa Iria de Azóia, a 9 de
Janeiro de 1906 e faleceu na Póvoa de Santa Iria, com 83 anos de
idade, a 1 de Dezembro de 1989. Filha de António da Costa e de
Gertrudes da Conceição, casou aos 22 anos, por procuração, com
Augusto Morais, a 27 de Janeiro de 1929, seguindo para Angola ao
encontro do seu marido.
De regresso a Portugal, empregaram-se na “Soda Póvoa” mas, tempos
depois, descobriu que tinha vocação para parteira. Sem
formação académica, foi durante muitos anos a “Parteira da
Póvoa”, a “Tia Olivia”, como era conhecida aquela a quem muitas
parturientes pediram assistência, confiando no seu saber.
Acudiu a todas elas desinteressadamente, a qualquer hora do dia
ou da noite.
Pode afirmar-se que pelas suas mãos vieram ao mundo muitos
naturais da Póvoa de Santa Iria, quando os hábitos e os
recursos impediam os partos nas Maternidades. Olívia Morais
granjeou fama e respeito pelo seu saber e experiência e nela
confiavam os médicos que, quando chamados, perguntavam quem
era a parteira. Se lhes respondiam que era a “Tia Olívia”,
sempre responderam: “então estão bem entregues”.
Trabalhava com entusiasmo, dedicação, carinho e abnegação e, na
maioria dos casos, não cobrava proventos pelo seu trabalho, não
obstante ter que prestar assistência por vezes em condições
muito difíceis. Com a idade de 82 anos, ainda orientou, com a
sua acumulada experiência, o nascimento do seu bisneto.
A “Comissão de Toponímia sugeriu o seu nome para uma rua,
proposta aprovada pela Assembleia de Freguesia, em 21 de
Fevereiro de 1992. Assim, Olivia de Morais ficou perpetuada na
toponímica local, dando nome à rua que começa na Estrada
Nacional 10 e finda no Bairro do Olival.
A Junta de Freguesia, no dia 8 de Março de 1994, prestou-lhe uma
justa e merecida homenagem póstuma, de apreço e gratidão, que
foi sentida por toda a população, tendo sido distribuídas rosas
às senhoras presentes. Nesse dia, a fanfarra dos Bombeiros
Voluntários da freguesia acompanhou a comemoração, durante a
qual usaram da palavra Agripina Moreira e Dias de Almeida,
presidente da Junta de Freguesia, que enalteceram as
qualidades humanas e profissionais da homenageada.
Manuel Duarte
1925 a 1962
Padre
Natural de Azóia de Cima, concelho de
Santarém, nasceu em 1925, no seio de uma família
estruturalmente cristã e trabalhadora, e faleceu na Póvoa de
Santa Iria, a 17 de Setembro de 1962.
Filho de David Duarte e de Silvia da
Conceição Duarte, foi o primeiro Prior nomeado para a Igreja de
Nossa Senhora de Fátima, na Póvoa de Santa Iria, inaugurada a 24
de Junho de 1956, com a presença do Sr. Cardeal-Patriarca.
Dotado de um forte carácter humanista, o
seu inesperado falecimento deixou marcas de profunda tristeza e
saudade na população. Piedoso, o padre Manuel Duarte irradiava
simpatia, falava a toda a gente, sabia ser popular e teve sempre
um comportamento exemplar.
Além da sua actividade sacerdotal, sempre
exercida com grande dedicação, dignidade e devoção, em Maio de
1959, inicia a publicação do Boletim Paroquial “O Nosso
Jornal”, sendo director, editor e proprietário.
Pautou sempre o seu trabalho de pároco com
aquele espírito de caridade e tolerância que dava aos crentes o
reforço da sua fé e aos descrentes o respeito pela igreja que
representava, fazendo amigos com facilidade, em todos quantos
tiveram o privilégio de com ele conviver e que muito admiravam a
sua bondade e humildade.
O seu interesse e amor ao próximo
manifestava-se pela acção social, num discreto repartir dos
seus proventos pelos mais necessitados, tendo a seu cargo a
presidência do “Centro de Assistência Paroquial”, inaugurado a
24 de Junho de 1956, distribuindo alimentos e medicamentos às
crianças pobres e fornecendo um pequeno-almoço diário a mais
de cem crianças.
A Rua Padre Manuel Duarte começa e finda
na Avenida Dom Vicente Afonso Valente. Perpetuando a sua
memória, o seu nome ficou gravado na toponímia Povoense desde
1982.
Poetas da Póvoa
Justa homenagem aos "Poetas" locais, que cantam á sua
maneira, versos do que lhes vai na alma. Estilos e vivências de
cada qual, segundo suas diversas ocupações, desde operários,
empregados e técnicos diversos, uns autodidactas, outros com
cursos secundários e superiores, tudo aspectos socioculturais a
merecerem um estudo reflectido. Sente-se ora nuns ora noutros,
mágoas de amor ou sorrisos de humor, tons de fado ou desalentos,
preocupações sociais, anseios, desejos, saudades, e outras
emoções líricas. Prefácio de Dr. Arquimedes da Silva Santos, no
livro "Poetas da Póvoa", edição da Associação DOM MARTINHO de
1999.
Póvoa de Dom Martinho
Topónimo do Século XV ao XIX
Este topónimo tem a sua origem em D. Martinho Vaz de Castelo
Branco (1459-1527), 7º Senhor do Morgado da Póvoa, quando em
1504, obteve de D. Manuel I, o título de 1º Conde de Vila Nova
de Portimão. D. Martinho com a idade de 16 anos participou na
batalha de Toro, célebre pelo episódio do Decepado na
defesa da Bandeira Nacional. Em 1489 juntamente com D. Diogo de
Almeida, comandou a expedição ao Norte de África, em defesa da
fortaleza "Graciosa" . Em 1521 , foi Capitão General e Almirante
da Armada que levou a infanta Dª Beatriz a Sabóia. Esta Armada
constava de 16 navios e cerca de dois mil homens. Integrados na
comitiva, iam os seus filhos, D. Francisco, D. João, D. António
e D. Afonso,
também o Arcebispo de Lisboa, D. Martinho da Costa. Casou com
Dª Mécia de Noronha, filha de D. João Gonçalves da Câmara, 2º
Capitão do Funchal, neta de D. João Gonçalves Zarco. Depois da
sua nobilitação, D. Martinho transforma-se em presença
obrigatória de todas as cerimónias importantes da corte. Foi
testamenteiro do Rei D. João II e de D. Manuel I e Camareiro-mor
de D. João III. A 13 de Julho de 1498 D. Martinho comprou a
Estevão Afonso a Qtª da Azóia, termo da Póvoa. D. Manuel
ao falecer, recomenda-o a seu filho D. João III, dizendo ser D.
Martinho, um dos homens que mais sabia dos assuntos do Estado.
Praça dos Lagares
Os Lagares foram as estruturas de
produção mais características do Morgado da Póvoa, desde sempre
ligadas ao cultivo das vinhas e das oliveiras. El-rei D. Manuel,
concedeu alguns privilégios aos lagareiros do Morgado nos finais
do século XV. Além de ficarem isentos de contribuições, não eram
obrigados a interromper a produção para prestarem serviços
extraordinários, estando apenas sujeitos ao serviço militar,
quando tais campanhas fossem organizadas pelo Rei. Recolha do
livro: Quinta da Nossa Senhora da Piedade, História do Seu
Palácio, Jardins e Azulejos, de Celso Mangucci.
RAMADA CURTO (AMILCAR DA SILVA RAMADA CURTO)
1886 - 1961
Dramaturgo
Formou-se em Directo. Participou na preparação do movimento
revolucionário que levou à implantação do regime republicano.
Foi deputado e ministro das Finanças e do Trabalho após o 5 de
Outubro de 1910. Das peças de Teatro que escreveu, cerca de 30
foram levadas a cena. Foi também romancista e jornalista.
RAMALHO ORTIGÃO (JOSÉ DUARTE RAMALHO ORTIGÃO)
1836 - 1915
escritor
Brilhante espirito critico da sociedade portuguesa da sua
época e defensor dos princípios espirituais de modernidade,
patentes em toda a sua obra. Um dos fundadores do Grupo "Os
Vencidos da Vida". Sua obra mais significativa; "AS FARPAS".
Regueirão do AdriÃo
Este topónimo vem referido no
Decreto-Lei nº 508 de 13 de Abril de 1916, que cria a freguesia
da Póvoa de Santa Iria, indicando a sul um dos seus limites; "Regueirão
de Adrião". Situava-se na propriedade, Quinta de Santo António,
pertença de Eduardo Veiga de Araújo. Desconhecemos a origem
deste topónimo, todavia pensamos que poderá estar relacionado
com "Regueirão de Santo Adrião".
Nota:
Pensamos ser importante a recuperação destes topónimos, de modo
a que não caiam no esquecimento, não só porque se identificam
com os limites da freguesia e fazem parte da sua história, mas
também pelo facto de poderem estar interligados a pessoas e
acontecimentos, proporcionando às gerações futuras, continuada
investigação.
Salgueiro Maia
1944 - 1992
Militar
Fernando José Salgueiro Maia, Oficial de Cavalaria, nasceu em
Castelo de Vide, a 1 de Julho de 1944, filho de pais
ferroviários. Salgueiro Maia é um dos principais heróis da
História recente de Portugal. Consegui-o, através da sua
destemida, extraordinária e patriótica acção, no memorável dia
25 de Abril de 1974, protagonizando o derrube do regime
ditatorial de Estado Novo. Homem de convicções, simples,
humilde, solidário, sem ambições de honras ou de poder, lutador
pela libertação do pensamento e da vida. Militar de carreira da
arma de cavalaria foi ainda capaz de concluir duas
licenciaturas: Ciências Políticas e Sociais e em Antropologia e
Etnografia. Desenvolveu actividades em outras áreas de interesse
no campo da museologia e no âmbito dos amigos dos castelos.
Publicou vários trabalhos de índole militar e histórica
antropológica e etnológica. Foi agraciado com vários louvores e
condecorações, da qual se destacam, a Ordem Militar de Torre e
Espada, do Valor Lealdade e Mérito pelo Presidente da República.
Faleceu em 4 de Abril de 1992, vitima de doença prolongada.
Sousa martins (josé tomás de sousa martins)
1843 - 1897
Médico e Cientista
Natural de Alhandra, foi um dos mais insígnes médicos da sua
época. Professor e Investigador, teve intervenção de elevado
mérito no Congresso sobre a peste, realizado em Veneza.
TIAGO DA SILVA SANTOS
1874 - 1972
Nasceu em São Tiago dos Velhos a 2 de Outubro de 1874 e faleceu, a
29 de Setembro de 1972. Construtor Civil diplomado pela Câmara
Municipal de Lisboa. Autor do projecto do actual edifício da
Câmara Municipal de Loures, inaugurado em 1915, Foi também o
autor do primeiro brasão republicano desta Câmara. Sócio
fundador da Associação de Socorros Mútuos “DORA”, em 1908
projectou e orientou a construção da carreta funerária.
Durante largos anos foi funcionário do Museu Militar de Lisboa.
Tendo desde muito novo perfilhado a doutrina republicana, cedo
começou a participar na luta pelos seus ideais, fazendo-o sempre
com grande dignidade e moderação, a merecer por isso respeito e
admiração de todos que com ele privaram. Implantada a
República, fez parte da primeira Comissão Administrativa da
Câmara Municipal de Loures, tendo sido eleito por aclamação
pela Comissão Municipal Republicana, e . respectivos delegados
paroquiais, em 7 de Outubro de 1910, exercendo o cargo de
vereador sucessivamente reeleito até 1917. A ele se devem
muitas intervenções em defesa do progresso da Póvoa de Santa
Iria. Desenvolveu intensa actividade contra o analfabetismo,
conseguindo a instalação em 1915 da primeira escola primária do
sexo feminino, localizada na Rua da República, cujas
instalações cedeu gratuitamente. Em 1932, foi nomeado delegado
técnico da Junta de Freguesia da Póvoa de Santa Iria, para
acompanhar e fiscalizar a construção da Escola Primária, na
actual Rua Raul Alves.
Vitorino Nemésio
Escritor
Urbano Tavares Rodrigues
Romancista
Nasceu em 1923, em Lisboa, passou a infância e adolescência
no Alentejo, tempo este que virá a perpassar na sua obra.
Licenciado em Filologia Românica por Lisboa, foi leitor de
Português em Montpelier e na Sorbonne. De regresso a Portugal,
passou a exercer o jornalismo em Lisboa e foi nomeado assistente
da Faculdade de Letras, cargo que viu obrigado a deixar por
motivos políticos. Mais tarde, foi nomeado professor
extraordinário da mesma faculdade. Jubilou-se em 1993 como
Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de
Lisboa e è membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa e
membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.
Romancista, contista, ensaísta, critico literário e jornalista,
tem publicada uma vasta obra que conta com várias traduções no
estrangeiro. A ficção de Urbano Tavares Rodrigues, denotando
influências do existencialismo francês de década de 50, tem como
características temáticas principais, uma consciencialização de
indivíduo a vários níveis, desde o nível do corpo e da morte,
até á identidade social e política.
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