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BREVE HISTÓRIA
DA QUINTA DA PIEDADE
A Quinta
Municipal de Nossa Senhora da Piedade teve origem na
instituição do Morgado da Póvoa, em 1348, por Vicente Afonso
Valente, cónego da Sé de Lisboa. A história da Quinta está
estreitamente ligada à história da Póvoa, durante muitos anos
chamada Póvoa de D. Martinho, uma vez que o sétimo senhor da
Póvoa e primeiro Conde de Vila Nova de Portimão, foi D. Martinho
de Castelo Branco Valente.
O conjunto hoje
existente integra testemunhos arquitectónicos, artísticos e
paisagísticos de vários períodos históricos que marcaram a
Quinta: um solar com arquitectura característica do Séc. XVIII e
interiores forrados a azulejos da época, uma capela com
elementos do Séc. XVI (portal renascentista e placa epigrafada),
um oratório da invocação do Senhor Morto forrado a azulejos do
Séc. XVIII e ruínas da capela dedicada a S. Jerónimo. No limite
da propriedade encontra-se a Igreja de N. Senhora da Piedade.
que inclui azulejos do Séc. XVIII e os túmulos dos Marqueses de
Abrantes.
Os jardins e
restantes espaços exteriores estiveram também naturalmente
associados à evolução da Quinta. Chegaram até nós vestígios de
jardins rococó a que se seguiu, no Séc. XIX. um jardim de
influência paisagista.
O conjunto exterior é ainda completado
por mata, bosque, pomares e
hortas, associados às funções
agrícolas da Quinta.
Desde o início
do Séc. XX que a Quinta deixou de pertencer à Casa de Abrantes,
entrando num período de progressiva degradação. Em 1979 a Quinta
veio à posse da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, no
âmbito das condições de aprovação da urbanização envolvente. A
partir daquela data, a autarquia deu início a um processo de
recuperação e reutilização, que tem como objectivo a criação de
um pólo de fruição e dinamização cultural ao serviço das
populações.
A importância
patrimonial do conjunto levou à sua classificação como imóvel de
interesse público, pelo Decreto-Lei n.º 29/84 de 25 de Junho. Os
princípios tidos em conta na intervenção sobre este património
levam em linha de conta, por um lado, a sua conservação e
recuperação e, por outro, a sua potencialização e revitalização,
cultural.
As metodologias adoptadas passaram pela constituição de uma
equipa interdisciplinar de projecto e acompanhamento, formada
tanto por técnicos da autarquia, como por consultores externos
que cobrem os domínios da história, arquitectura, design,
arquitectura paisagista, museologia, engenharia civil e
técnicos de restauro.
Das medidas de salvaguarda e reutilização já tomadas,
destacamos as que permitiram pôr em funcionamento a biblioteca
infanto-juvenil e a Galeria de Exposições - na ala leste do
Palácio - e o tanque de aprendizagem de natação.
Outras realizações inserem-se no processo/global de intervenção,
tais como a recuperação do telhado, o inventário da azujelaria
interior do palácio e a instalação provisória dos viveiros
municipais. Também de carácter temporário é a ocupação das
instituições Cerci Póvoa e APAG, que constituem, actualmente, os
utilizadores quotidianos deste espaço.
Dos estudos e
projectos em curso têm particular realce os seguintes: projecto
de execução do Centro Cultural/Palácio da Cultura e das Artes,
projecto de execução do parque público e plano de zonamento
global da quinta.
O futuro palácio
da cultura e das artes poderá constituir um Centro Cultural
dinamizador de toda uma vasta região, que extravasa os limites
do Concelho de Vila Franca de Xira. É preocupação fundamental da
Câmara Municipal de Vila Franca de Xira associar, neste
processo, os utentes mais directos deste equipamento: as
crianças, jovens e professores das escolas circundantes da
Quinta; os idosos; os escuteiros; os membros das associações
cívicas e culturais; os habitantes das modernas urbanizações e,
em suma, todos aqueles que, de uma forma ou de outra, usufruam e
recriem este importante património.
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