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BREVE
HISTÓRIA DA PÓVOA DE SANTA IRIA
No contexto da
Guerra dos Cem Anos e no prenúncio de uma época, como foi o
século XIV, terá sido instituído o Morgadio da Póvoa. Estávamos
no reinado de D. Afonso IV quando Lourenço Afonso Valente se
torna o 1° senhor do Morgado da Póvoa.
Até meados do século XIX, a Póvoa era conhecida
pela denominação de Póvoa de D. Martinho pertencente à antiga
freguesia de Santa Iria e subordinada ao corregedor do Bairro do
Limoeiro de Lisboa.
Em 1840 esta freguesia pertencia ao Concelho de
Alverca, e após a extinção deste, passa a integrar o Concelho de
Vila Franca de Xira e mais tarde o de Loures. A partir de 1926
passa definitivamente para o Concelho de Vila Franca de Xira.
Deste lugar fazia parte a Quinta da Piedade, a
qual constituía um latifúndio rico em árvores de fruto, olivais,
vinha e águas de excelente qualidade. Durante toda a Idade
Média, a Quinta terá sido uma residência de campo, onde a caça,
actividade altamente considerada na época, era praticada, ou um
local de exílio quando as pestes ou as revoltas afligiam a
cidade de Lisboa.
A partir do século XVI, com D. Francisco
Castelo Branco, surge o solar senhorial datando da mesma época a construção
das capelas. No século XVII, a Quinta adquiriu o aspecto de um paço
fortificado, preservando a propriedade de possíveis ataques (Guerras da
Restauração),ganhando
contudo no século XVIll, a imponência de um solar ricamente decorado a
azulejos com os seus belos jardins, nos quais não faltavam os lagos, as
grutas, os fontanários, os oratórios e a Igreja de Nossa Senhora da Piedade.
Relativamente à denominação de Senhora da Piedade
e ao respectivo culto religioso, parece datar da época de D.
Francisco de Castelo Branco, já que para os condes de Vila Nova
de Portimão é tida em grande reverência e veneração uma imagem
da "Rainha dos Anjos" segundo consta muito milagrosa, a que dão
o título de Piedade. Esta imagem colocada numa gruta feita de
pedras toscas, tem ao seu lado direito S. João Evangelista, e do
lado esquerdo Santa Madalena, tendo a seus pés o Senhor Morto.
Neste local, rodeado de um certo misticismo, ainda hoje os
devotos da Senhora da Piedade, cumprem as suas promessas e onde
antigamente se realizavam anualmente, em Maio, uma alegre
romaria com bailes e animados arraiais populares. |
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