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Muitos de nós,
autarcas, à data em que ficou decidida a construção de uma
passagem inferior, para atravessamento da via férrea, optámos
por esta solução por entendermos que era de longe muito mais
favorável, pois todos conhecíamos os problemas que trazia uma
passagem superior, principalmente para todas as pessoas mais
idosas e doentes.
No entanto,
antes de tomarmos a decisão da passagem inferior, não
quisemos deixar de ouvir a população, em particular aqueles que
residem na Av. Isidoro Costa, pois seriam eles os mais
interessados.
Para o efeito,
realizou-se uma Sessão Extraordinária da Assembleia de Freguesia
em 28 de Novembro de 1996 e a opinião da população foi unânime em
considerar como melhor solução a passagem inferior. De
notar que, na mesma altura, a Associação D. Martinho emitiu também
um comunicado onde expressava a mesma opinião, por considerar ser
essa a alternativa que melhor defendia os interesses dos povoenses.
Mas como não há
bela sem senão, o pior estava para vir, pois quando fizemos
a opção pela passagem inferior, dissemos sempre aos
dirigentes da CP que teriam de existir sempre rampas, para
além das escadas. Nada, na altura, nos foi dito em contrário e,
por isso, ficámos tranquilos, pois subir ou descer uma rampa é
sempre menos cansativo do que fazê-los por escada, para além de
permitir a passagem de deficientes que tenham de utilizar cadeiras
de rodas, carrinhos de bébé, carrinhos de compras, etc..
Passados alguns
meses, veio a CP dizer que afinal não era possível a execução de
rampas, pois os técnicos tinham concluído que o perfil do terreno
não permitia, devido a falta de inclinação, chegando mesmo a
afirmar que, do lado da Rua Afonso de Albuquerque tinham que
instalar o princípio da rampa junto da antiga PRESMALT o que, a
nosso ver, era completamente impensável devido aos problemas de
segurança, principalmente durante a noite.
Resta
acrescentar que fomos postos entre a espada e a parede, pois o
projecto estava completamente pronto e não se podia perder mais
tempo,
sob pena de sermos culpabilizados pelo atraso da obra, e
por outro lado a alternativa de uma passagem superior estava
rejeitada definitivamente.
Perante tal
cenário, não restava outra solução, pois como se costuma dizer,
do
mal o menos, mesmo sem rampas continuamos a pensar que a
passagem inferior tem mais vantagens comparativamente a uma
passagem superior, só com escadas.
De qualquer
modo, decorridos cerca de dois anos e meio depois da entrada em
funcionamento da referida passagem inferior, verifica-se que tal
situação não pode ser encarada como definitiva, pois ela está
longe de dar um mínimo de satisfação e, por isso, há que
encontrar alternativas que sirvam com mais eficácia e comodidade
a população.
Face aos
projectos urbanísticos que vão desenvolver-se para toda a zona
ribeirinha e para o local onde anteriormente estava a fábrica de
moagem, o que vai aumentar de forma bastante significativa o
movimento de pessoas entre o lado poente e nascente da cidade,
pensamos que uma nova alternativa de atravessamento terá de ser
encontrada.
Na minha opinião
pessoal, essa alternativa deverá passar pela construção de uma
passagem superior coberta, no estilo daquela que existe junto à
estação de caminho de ferro de Alcântara, onde o acesso à mesma
seria feito através de rampas suaves e nunca por escadaria.
A situação ideal
seria mesmo a sua construção numa zona não muito afastada da
ligação da Rua dos Marinheiros com a Av. Isidoro Costa, pois
esse será sempre o caminho que nos conduz ao Tejo.
Obviamente que
terá de ser um equipamento harmonioso, como aquele que
referimos, e não umas toneladas de ferro elevadas, sem um mínimo
de preocupação com o meio ambiente e o conforto das pessoas.
A Câmara
Municipal terá aqui uma função importante a desempenhar, pois
tal solução, para além de agradar a toda a comunidade povoense,
também por certo agradaria aos construtores que vão desenvolver
os referidos projectos na zona poente da cidade, daí poder
eventualmente estabelecer-se um acordo de parceria, uma
vez que estão em jogo diversos interesses.
A nossa cidade ganharia muito com esta obra, uma vez que ela
contribuiria de forma decisiva para a revitalização da Póvoa
histórica, pois também não podemos esquecer a recuperação de
toda a zona ribeirinha que está prevista e o facto dos povoenses
estarem desejosos de restabelecer a relação afectiva que sempre tiveram com o
rio, o que acontecerá de forma mais intensa logo que o Bairro
dos Pescadores dali sair, como se prevê.
Para terminar,
um forte apelo à Câmara Municipal e também à Junta de Freguesia:
encarem esta situação com determinação, pois estamos certos que
se houver vontade política, a ligação das duas partes da cidade
poderão ser substancialmente melhoradas, pois não podemos
esquecer que as condições actuais são extremamente limitativas
da mobilidade das pessoas.
E agora mesmo
para concluir, quero aqui deixar os meus votos de BOM NATAL a
todos os povoenses e as maiores prosperidades para o ANO de 2001 e
que este novo ano marque de forma decisiva uma viragem no
desenvolvimento que todos nós ambicionamos para a nossa Cidade,
com vista a uma melhor qualidade de vida. [...]
João Carlos Fernandes Nunes
Presidente
da Assembleia de Freguesia
da Póvoa de Santa Iria
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